Após o filho João receber o diagnóstico de autismo aos 2 anos, a advogada Alicianni Moraes deixou o antigo emprego e criou um negócio de doces para conciliar a carreira com a rotina de terapias, consultas e cuidados da criança, no Piauí.
Em entrevista à TV Clube, Alicianni afirmou que o acompanhamento do desenvolvimento do filho também exige continuidade em casa. A carga de compromissos dificultava o cumprimento da jornada profissional anterior, e ela passou a produzir bolos, pudins e outros doces conforme a agenda da família.
A empreendedora Deyse Medeiros, que também é mãe de uma criança com transtorno do espectro autista (TEA), relatou experiência semelhante. Segundo a reportagem, as demandas relacionadas ao acompanhamento terapêutico dificultaram sua permanência em um emprego formal e contribuíram para a decisão de investir no próprio negócio.
Uma pesquisa da consultoria de recrutamento Fesa Group, realizada entre janeiro e fevereiro, apontou que 59,1% das executivas que são mães relataram impactos negativos na carreira depois do nascimento dos filhos.
De acordo com a advogada Bárbara Santana, a legislação brasileira assegura direitos às mulheres durante a gestação e após o nascimento da criança, incluindo proteção contra demissão sem justa causa no período de estabilidade, intervalos para amamentação e dispensa para consultas relacionadas à gestação, conforme as regras trabalhistas aplicáveis.
A orientação para trabalhadoras que suspeitem de discriminação ou prejuízo profissional é reunir documentos e buscar orientação jurídica. A responsabilização depende da apuração de cada caso e das provas apresentadas.
Fonte: g1 Piauí