A advogada e empreendedora Alicianni Moraes passou a produzir doces para conciliar o trabalho com os cuidados do filho, João, diagnosticado com autismo aos 2 anos. A rotina de terapias, consultas e acompanhamento em casa dificultou a permanência dela no antigo emprego.
Em entrevista à TV Clube, Alicianni contou que precisou reorganizar a vida profissional para acompanhar o desenvolvimento da criança. Ela escolheu trabalhar com bolos, pudins e outros doces porque já gostava de cozinhar e poderia adaptar a produção aos horários das terapias.
A empresária Deyse Medeiros, que também é mãe de uma criança com transtorno do espectro autista (TEA), relatou uma experiência semelhante. Segundo a reportagem, as demandas do acompanhamento terapêutico dificultaram sua permanência em um emprego formal e contribuíram para que investisse no próprio negócio.
Uma pesquisa da consultoria de recrutamento Fesa Group, realizada entre janeiro e fevereiro de 2026, apontou que 59,1% das executivas que são mães relataram impactos negativos na carreira após terem filhos.
A advogada Bárbara Santana afirmou que a legislação brasileira prevê direitos para mulheres durante a gestação e após o nascimento dos filhos, incluindo proteção contra demissão sem justa causa no período previsto em lei, intervalos para amamentação e dispensa para consultas relacionadas à gestação, conforme as regras aplicáveis.
Em casos de suspeita de discriminação ou prejuízo profissional, a orientação é reunir documentos e buscar assistência jurídica. Segundo Bárbara, empresas podem sofrer multas e outras penalidades quando são identificadas violações aos direitos das trabalhadoras.
Fonte: g1 Piauí