Os inspetores da Polícia Civil Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes foram presos nesta quinta-feira (15), no Rio de Janeiro, durante a 8ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Christiano é atualmente secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo.
Os irmãos já haviam sido detidos em 2011, na Operação Guilhotina, que investigou suspeitas de corrupção e envolvimento de policiais com milícias no estado. Segundo a PF e o Ministério Público, eles fariam parte de um grupo suspeito de desviar armas, munições e bens apreendidos em operações policiais.
As investigações da época também apontaram suspeitas de ligação com a milícia que atuava na Favela Roquete Pinto, em Ramos. De acordo com os investigadores, o grupo explorava serviços clandestinos, cobrava taxas de moradores e comerciantes e controlava atividades como a venda ilegal de gás e a distribuição clandestina de televisão por assinatura.
Filhos do policial militar reformado Ricardo Afonso Fernandes, conhecido como Afonsinho, os irmãos foram denunciados pelo Ministério Público do Rio por peculato, formação de quadrilha e comércio ilegal de armas. Eles chegaram a ser condenados e expulsos da Polícia Civil, mas o então governador Luiz Fernando Pezão anulou as demissões em 2018, após pareceres que mencionavam o reconhecimento da prescrição dos crimes atribuídos aos policiais.
Christiano também trabalhou como chefe de investigação do delegado Marcus Amim, que é outro alvo da operação. Depois que Amim deixou um cargo na Polícia Civil e Márcio Canella foi eleito prefeito de Belford Roxo, em 2024, Christiano assumiu a Secretaria Municipal de Ordem Urbana.
O advogado Ubiratan Guedes, que defende os irmãos, afirmou que ainda não teve acesso aos autos e que os clientes estão surpresos com as prisões. Segundo ele, a defesa tinha conhecimento apenas da detenção.
Fonte: g1