O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, afirmou nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, que não renunciará ao cargo após três dias de confrontos entre manifestantes e policiais em Tirana, capital do país.
Em declaração à Reuters, Rama disse que governos são substituídos por eleições democráticas e afirmou que a Albânia realizou eleições no ano passado. A fala ocorreu antes de novos confrontos diante do Ministério da Educação, onde a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d’água contra jovens que atiravam pedras.
O primeiro-ministro declarou que pretende ouvir as reivindicações dos manifestantes, mas não aceitará atos de vandalismo. Segundo ele, deixar o cargo trairia os eleitores que lhe deram um mandato para concluir as negociações de adesão da Albânia à União Europeia.
Os protestos começaram há quase cinco meses contra um projeto turístico associado a Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O empreendimento, estimado em € 4 bilhões, prevê a construção de um resort na região da ilha de Sazan, em uma área de litoral considerada de grande valor natural.
Inicialmente chamados de “Revolução dos Flamingos”, em referência aos riscos ambientais apontados por opositores, os atos ganharam força com a adesão de estudantes. Eles também passaram a incluir reivindicações relacionadas ao aumento dos custos da educação, às condições das universidades e à renúncia de Rama.
Após uma noite de confrontos, moradores encontraram lojas danificadas, semáforos destruídos e prédios públicos e bancos incendiados e saqueados. De acordo com o jornal britânico The Guardian, 89 pessoas ficaram feridas, incluindo 61 policiais.
Rama foi reeleito para um quarto mandato em 2025 e estabeleceu como meta concluir até 2030 o processo de entrada da Albânia na União Europeia. Ele defende o resort como uma oportunidade de gerar empregos e fortalecer o turismo, enquanto ambientalistas contestam os benefícios do projeto e dizem que ele favoreceria os setores mais ricos.
Fonte: O Globo