O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, descartou renunciar nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, após três dias de confrontos entre manifestantes e a polícia em Tirana. Os protestos, que começaram contra um projeto turístico apoiado pela família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ganharam força com a adesão de estudantes.
Horas após a declaração, a polícia de choque usou gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar jovens que atiravam pedras em frente ao Ministério da Educação. Segundo o jornal britânico The Guardian, a violência deixou 89 feridos, incluindo 61 policiais, além de danos a lojas, semáforos, prédios públicos e bancos.
Em entrevista à Reuters, Rama afirmou que governos são substituídos por eleições e disse que a Albânia realizou eleições no ano passado, não uma revolução. O primeiro-ministro também declarou que pretende ouvir as reivindicações dos manifestantes, mas não permitirá que a violência desvie o país de seu objetivo de ingressar na União Europeia.
Reeleito para um quarto mandato em 2025, Rama estabeleceu como meta concluir até 2030 as negociações de adesão ao bloco europeu. O governo socialista está no poder há 13 anos, período em que aumentou a insatisfação com a administração.
As manifestações começaram há quase cinco meses contra a construção de um complexo turístico na ilha de Sazan e em uma área de litoral preservado. O projeto, defendido por Jared Kushner, genro de Trump, é estimado em € 4 bilhões e prevê um resort voltado ao turismo de luxo.
Os atos ficaram conhecidos como “Revolução dos Flamingos”, em referência aos riscos ambientais apontados por opositores do empreendimento. Com a entrada dos estudantes, as reivindicações passaram a incluir melhorias nas universidades, redução dos custos da educação e a renúncia de Rama.
Fonte: O Globo