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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

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SEGURANÇA

Dois homens morrem após PM disparar 69 vezes em uma semana em SP

Dois homens morreram após PM disparar 69 vezes em ocorrências envolvendo crises mentais em São Paulo; casos são investigados.

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Dois homens morreram após policiais militares dispararem 69 vezes em ocorrências distintas em São Paulo, com intervalo de uma semana. Os casos aconteceram em 3 de outubro, na Zona Norte, e em 10 de outubro, em Moema, na Zona Sul, e envolvem pessoas que, segundo familiares e registros das ocorrências, apresentavam transtornos mentais ou emocionais.

Na Vila Dionísia, cinco policiais atenderam a uma ocorrência envolvendo Antonio Nunes Batista, de 40 anos. Segundo o boletim de ocorrência, ele ameaçava pedestres com uma faca e uma barra de ferro; após dois disparos de arma de choque não conseguirem contê-lo, os agentes fizeram 24 disparos. Antonio foi levado ao hospital, mas morreu. A família informou que ele tinha esquizofrenia.

Em Moema, Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu após quatro policiais efetuarem 45 disparos durante uma ocorrência inicialmente registrada como tentativa de suicídio. De acordo com o boletim, os agentes disseram ter visto Gustavo apontar um objeto em direção à equipe em uma área escura. O objeto foi posteriormente identificado como um celular.

As duas ocorrências são investigadas separadamente pela Polícia Civil. Os inquéritos devem apurar se os policiais agiram em legítima defesa ou se houve excesso no uso da força. No caso de Gustavo, o laudo pericial ainda deverá indicar quantos disparos atingiram o jovem; o boletim registra 27 perfurações no corpo.

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmaram que a quantidade de tiros deve ser analisada para verificar se os protocolos da Polícia Militar foram cumpridos. O coronel da reserva José Vicente da Silva Filho avaliou que, em uma reação a uma ameaça iminente, o procedimento previsto seria efetuar dois disparos rápidos, e defendeu uma revisão dos protocolos da corporação.

O professor Rafael Alcadipani, da Fundação Getulio Vargas e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou que um número elevado de disparos pode indicar descumprimento dos protocolos, mas ressaltou a necessidade de uma investigação aprofundada. A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, defendeu que ocorrências envolvendo crises psiquiátricas também contem com profissionais de saúde mental.

As orientações do Método Giraldi, adotado pela PM paulista, indicam que o disparo deve ser usado como último recurso, considerando necessidade, oportunidade e proporcionalidade. A apostila do método também recomenda dois disparos rápidos por vez quando o uso da arma de fogo for necessário.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, classificou como legítima a ação dos policiais no caso de Gustavo. As investigações analisam imagens de câmeras de segurança, depoimentos e perícias para esclarecer a dinâmica das duas mortes.

Fonte: g1

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