O governo da Costa Rica inaugurou nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, o Centro de Alta Contenção do Crime Organizado (Cacco), uma penitenciária com capacidade para 5,1 mil detentos. A instalação integra a estratégia do país de combate ao crime organizado por meio da repressão e do encarceramento.
Construído em uma área de 31 mil metros quadrados e com custo estimado de US$ 34 milhões, o complexo poderá abrigar o equivalente a cerca de 20% da atual população carcerária costa-riquenha. As primeiras transferências estão previstas para ocorrer até o fim de outubro.
Durante a inauguração, a presidente Laura Fernández afirmou que o Cacco representa um novo modelo de rigor no combate ao crime e disse que a Costa Rica pretende se tornar uma referência global em segurança prisional.
O projeto foi inspirado no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), megapenitenciária de El Salvador associada ao governo de Nayib Bukele. O local salvadorenho, com capacidade para 40 mil pessoas, foi alvo de denúncias de abusos, torturas, detenções ilegais e mortes.
A legislação da Costa Rica impede a adoção de algumas práticas do Cecot. Os detentos terão direito à luz do dia, exercícios ao ar livre, um telefonema por semana e visitas. Em contrapartida, usarão uniformes sem bolsos e não terão acesso a rádio e televisão.
A nova penitenciária será inicialmente destinada a presos considerados perigosos e com vínculos com organizações criminosas. A Costa Rica registrou 873 homicídios em 2025, número inferior ao de anos anteriores, mas acima dos padrões históricos do país.
A inauguração ocorre após a população carcerária costa-riquenha superar 21 mil pessoas, um aumento de 42% desde 2022, segundo o governo. As autoridades atribuem o crescimento à maior cooperação internacional, à repressão ao crime organizado e à rapidez dos tribunais.
Fonte: O Globo