O governo da Costa Rica inaugurou na quarta-feira, 14 de outubro, uma penitenciária com capacidade para 5,1 mil detentos como parte da estratégia de combate ao crime organizado por meio do encarceramento e da repressão.
Batizada de Centro de Alta Contenção do Crime Organizado (Cacco), a unidade foi inspirada no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), megapenitenciária de El Salvador. O governo salvadorenho colaborou com o projeto costarriquenho.
Durante a inauguração, a presidente Laura Fernández afirmou que o Cacco representa um novo modelo de rigor no combate ao crime e disse que a Costa Rica poderá se tornar uma referência internacional em segurança prisional.
A obra custou aproximadamente US$ 34 milhões e ocupa 31 mil metros quadrados. As primeiras transferências de presos devem ocorrer até o fim de outubro, segundo as informações divulgadas pelo governo.
A Costa Rica registrou 873 homicídios no ano passado, número inferior ao de anos anteriores, mas acima dos padrões históricos do país. A população carcerária também atingiu recorde, com mais de 21 mil pessoas privadas de liberdade — aumento de 42% desde 2022.
Embora tenha sido inspirada no Cecot, a penitenciária costarriquenha seguirá regras diferentes. Os detentos terão direito à luz do dia, a exercícios ao ar livre, a um telefonema semanal e a visitas; em contrapartida, usarão uniformes sem bolsos e não terão acesso a rádio ou televisão.
O Cecot, símbolo da política de repressão adotada pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele, tem capacidade para 40 mil detentos e foi alvo de denúncias de abusos, torturas, detenções ilegais e mortes. Fernández deve visitar El Salvador na sexta-feira, 16 de outubro, incluindo a megapenitenciária no roteiro.
Fonte: O Globo