O governo do Peru anunciou nesta segunda-feira, 12 de outubro de 2026, novas regras para escolas públicas do país, incluindo a proibição de maquiagem, unhas pintadas, cabelos tingidos ou excessivamente longos e celulares sem autorização do professor.
As normas ainda passarão por consulta à sociedade civil antes de entrar em vigor. Segundo o ministro da Educação, José Antonio Chang, as regras sobre aparência e vestimenta serão aplicadas às instituições públicas, enquanto escolas privadas poderão estabelecer seus próprios critérios.
O governo também determinou que o comprimento das saias siga padrões considerados adequados e proibiu o uso de aparelhos eletrônicos em sala de aula, salvo quando houver autorização do professor.
As medidas preveem advertências e sanções proporcionais à gravidade das ocorrências. Em casos graves de violência, os estudantes poderão ser expulsos.
Ao apresentar as regras, a presidente Keiko Fujimori afirmou que o governo não aceitará episódios de bullying, violência ou assédio sexual nas escolas. Ela pediu que os alunos denunciem essas situações às autoridades educacionais e disse que os suspeitos serão encaminhados ao Ministério Público e à Polícia Nacional.
O anúncio ocorreu após a denúncia, em 15 de setembro, de uma suposta violência sexual contra um estudante de 16 anos durante uma viagem em um ônibus escolar. Um tribunal de Lima determinou quatro meses de internação preventiva para seis adolescentes envolvidos no caso, todos estudantes do Liceo Naval Almirante Guise, administrado pela Marinha de Guerra do Peru.
Os adolescentes foram encaminhados ao Centro Juvenil de Diagnóstico e Reabilitação de Lima, conhecido como Maranguita. O caso também gerou denúncias de outros episódios de bullying e violência, além de relatos de supostas práticas de racismo e elitismo em uma instituição administrada pela Marinha.
Após a repercussão, o governo determinou a reorganização do Liceo Naval e transferiu sua administração ao Ministério da Educação até o próximo ano. De acordo com Chang, a medida já estaria contribuindo para recuperar a ordem e a disciplina na instituição.
Fonte: O Globo