O New York Times avalia que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, marcado para 25 de outubro, praticamente completaria o mapa de aliados de Donald Trump na América Latina.
Segundo o jornal, o Brasil é a principal peça que falta na crescente rede de parceiros do presidente dos Estados Unidos na região, por ser o maior país latino-americano em população, território e economia. Atualmente, a esquerda governaria apenas México e Uruguai entre os países latino-americanos citados na reportagem.
O diário afirma que o governo Trump busca ampliar o controle sobre a América Latina por meio de tarifas, sanções, ataques aéreos, revogação de vistos e intervenções eleitorais. O texto também menciona o bloqueio de petróleo a Cuba e a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, preso nos Estados Unidos, segundo a reportagem.
Para o New York Times, a política representa a versão mais agressiva da chamada Doutrina Monroe, formulada em 1823 para defender a primazia dos Estados Unidos no continente. O jornal também relaciona a expansão da direita na região à prioridade dada por Trump ao combate às drogas.
A reportagem cita a classificação de grupos criminosos latino-americanos como organizações terroristas e ataques contra embarcações suspeitas de tráfico em águas da região. Especialistas ouvidos pelo jornal consideram esses bombardeios ilegais.
De acordo com o texto, 18 países aderiram a uma coalizão liderada pelos Estados Unidos contra cartéis. Colômbia, Guatemala, Honduras e Equador teriam concordado em realizar operações militares conjuntas com o Pentágono.
O jornal afirma que Flávio Bolsonaro já indicou que pretende aderir à coalizão Escudo das Américas e pressionou pela classificação de facções brasileiras como organizações terroristas. A reportagem questiona, porém, os efeitos da cooperação sobre a população e a soberania dos países latino-americanos, diante da diferença de poder entre os Estados Unidos e as nações da região.
Fonte: O Globo