O farmacêutico e professor Paulo Arrais alertou, em entrevista ao g1 Ceará publicada nesta quarta-feira (14), para os riscos de seguir recomendações de medicamentos, vitaminas e suplementos feitas por influenciadores digitais sem avaliação profissional.
Segundo Arrais, os criadores de conteúdo não conhecem as condições de saúde, o estilo de vida, as doenças preexistentes e os medicamentos usados por cada seguidor. Por isso, um produto utilizado por uma pessoa pode ser inadequado ou oferecer riscos a outra.
A automedicação pode causar intoxicações, reações adversas e interações entre medicamentos. O risco também envolve a dose, o tempo de uso, a apresentação do produto e a forma de administração, inclusive no caso de remédios vendidos sem receita.
O professor chamou atenção para o uso prolongado de analgésicos e anti-inflamatórios, que pode provocar problemas renais e mascarar a causa de sintomas persistentes. No caso de dores de cabeça recorrentes, o uso frequente de analgésicos também pode levar ao chamado efeito rebote.
Arrais ainda recomendou cautela com pesquisas na internet e respostas fornecidas por ferramentas de inteligência artificial. Segundo ele, esses recursos não substituem a avaliação médica, que inclui perguntas detalhadas, exame físico e análise individual do quadro.
As chamadas “farmacinhas” domésticas também podem favorecer o uso inadequado de remédios. Sobras de tratamentos interrompidos podem ser reutilizadas sem investigação da causa dos sintomas, enquanto o armazenamento em locais úmidos, como o banheiro, pode comprometer alguns produtos.
A orientação é procurar um médico para avaliação e um farmacêutico para esclarecer dúvidas sobre dose, duração do tratamento, contraindicações e interações. A leitura da bula também ajuda a identificar efeitos adversos e limites de utilização.
Paulo Arrais integra o Grupo de Prevenção ao Uso Indevido de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (UFC), que mantém um Centro de Informação sobre Medicamentos. O serviço informado pelo professor atende pelo telefone (85) 3366-8293.
Fonte: g1 Ceará