A família do ator britânico William Chapman, de 23 anos, criticou nesta terça-feira (13) a divulgação de vídeos relacionados à morte do jovem, atacado por um tigre no Yorkshire Wildlife Park, em Doncaster, no Reino Unido, no sábado (10).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na Truth Social um trecho do ataque, que mostra o tigre mordendo e arranhando Chapman dentro do recinto. As imagens não registram o momento da morte.
Mais tarde, Trump compartilhou uma montagem gerada por inteligência artificial na qual aparece sorrindo, correndo em direção ao animal e brincando com ele no mesmo local. O vídeo reproduz um gesto feito por Chapman e termina com o presidente abraçando o tigre.
Em comunicado divulgado pelo jornal britânico The Guardian, a família afirmou que a circulação do conteúdo é "profundamente ofensiva" e causa "grave sofrimento" em um momento de vulnerabilidade. Os parentes pediram que as pessoas parem de compartilhar as imagens.
A família também disse esperar que as autoridades esclareçam por que Chapman entrou no recinto. Segundo os parentes, o jovem tinha uma doença mental significativa havia vários anos e usava medicamentos fortes, mas caberá ao legista avaliar se essa condição teve alguma influência na morte.
Will Travers, presidente-executivo da Born Free Foundation, organização britânica de proteção à vida selvagem, classificou o vídeo de inteligência artificial como insensível e irresponsável. Para ele, imagens do tipo podem estimular pessoas a buscar contato direto e de alto risco com animais selvagens mantidos em cativeiro.
O Yorkshire Wildlife Park permanece fechado, e o conselho municipal de Doncaster abriu uma investigação de saúde e segurança sobre o caso. Uma investigação oficial será iniciada nesta quinta-feira (15) no tribunal do legista de Doncaster.
O tigre Altai, um tigre-de-amur também conhecido como tigre-siberiano, não será sacrificado, segundo o parque. Chapman havia trabalhado como ator quando criança em produções da ITV e da BBC Learning.
Fonte: O Globo