O escritório de advocacia do ex-presidente Michel Temer assinou, em 3 de setembro de 2025, um contrato de até R$ 30 milhões com o Banco Master para tentar viabilizar a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). O negócio dependia de autorização do Banco Central, que não aprovou a operação.
O acordo previa R$ 10 milhões em honorários iniciais, divididos em duas parcelas de R$ 5 milhões, e outros R$ 20 milhões condicionados à conclusão da transação. As informações constam de documentos e mensagens trocadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, pelo publicitário Elsinho Mouco e por Temer.
O contrato atribuía ao escritório a tarefa de acompanhar uma ação judicial relacionada ao Banco Central, uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) e a busca de mediação com órgãos públicos para formalizar a operação entre Master e BRB.
O documento também mencionava a possibilidade de contestar uma decisão do Banco Central que tivesse a participação do diretor Renato Lemos. Segundo o texto, o banco considerava a atuação do diretor equivocada e prejudicial à negociação.
As mensagens indicam que Elsinho encaminhou o contrato a Vorcaro e passou a cobrar os pagamentos previstos. Em novembro de 2025, o publicitário informou que havia recebido metade do valor, mas os registros não permitem identificar a quantia transferida nem confirmar se todos os honorários foram quitados.
Os diálogos também mostram contatos diretos entre Temer e Vorcaro, além da organização de reuniões em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em novembro de 2025. Segundo as mensagens, Temer intermediou encontros com interlocutores de Dubai e do Iraque.
Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai. Na ocasião, ele havia anunciado um negócio envolvendo o Banco Master e o grupo Fictor, mas a operação também foi barrada pelo Banco Central.
As primeiras mensagens entre Vorcaro e Temer registradas no aparelho do banqueiro são de outubro de 2023 e tratam do documentário “963 Dias”, sobre a trajetória política do ex-presidente. Uma cota de patrocínio de R$ 1 milhão foi comprada pelo fundo Moriah Asset, ligado à família de Vorcaro.
Procurados, Michel Temer e Elsinho Mouco não se manifestaram.
Fonte: O Globo