O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, afirmou em 14 de outubro que o governo avalia libertar antecipadamente e sob condições cerca de metade dos detidos considerados culpados de colaborar com gangues.
Segundo Bukele, os beneficiários permaneceriam sob monitoramento. O plano foi mencionado durante uma coletiva sobre investimentos espanhóis, após uma pergunta sobre publicações de Ibrajim Bukele, irmão do presidente.
Em setembro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) citou a política de segurança de El Salvador como inspiração para um eventual governo seu. O parlamentar também se reuniu com o ministro da Segurança do país.
Cerca de 93 mil pessoas foram presas durante o regime de exceção adotado há quatro anos. A medida reduziu a criminalidade a níveis historicamente baixos, mas ONGs e um grupo de especialistas da ONU afirmam que houve crimes contra a humanidade.
De acordo com a organização humanitária Socorro Jurídico, pelo menos 30 mil detidos são inocentes e mais de 500 morreram sob custódia do Estado. O governo salvadorenho já libertou cerca de 8 mil pessoas, classificadas por integrantes do gabinete como parte da margem de erro do regime.
Bukele não informou quando a nova medida começaria nem quais critérios seriam usados. O diretor jurídico da ONG Cristosal, Abraham Abrego, afirmou à AFP que a revisão de casos de inocentes é uma reivindicação recorrente de grupos de direitos humanos, mas disse que a definição de culpa cabe ao sistema de Justiça, e não ao Executivo.
As organizações também criticam julgamentos em massa de detidos na guerra contra as gangues. Bukele rejeita as acusações de violações de direitos humanos e defende a continuidade do regime de exceção.
Fonte: O Globo