Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes lançaram em 22 de setembro o álbum Vice-Versa, primeiro projeto fonográfico conjunto dos dois artistas, e se preparam para uma turnê baseada na parceria.
Amigos há décadas, os cantores, compositores e poetas transformaram em disco o encontro realizado no Coala Festival, em 2024. O álbum reúne músicas inéditas, com exceção de Sorriso Livro, do Timbalada, e transita por samba, balada, rock e indie-rock.
Em entrevista ao g1, os artistas contaram que o processo de criação começou quando Adriana enviou a Arnaldo uma melodia inédita. A partir daí, os dois passaram a compor juntos, alternando caminhos que começavam por letras, melodias ou fragmentos das duas formas.
Grande parte das faixas é cantada em uníssono. Segundo Arnaldo, a combinação das vozes criou um novo perfil vocal, descrito por ele como uma “terceira voz”, enquanto Adriana afirmou que essa escolha reforça a ideia de que o disco não pertence individualmente a nenhum dos dois.
As letras também abordam temas contemporâneos. Em As Bancas de Jornais, a dupla trata da transformação desses espaços, do consumo excessivo, da convivência entre fofura e violência no ambiente digital e da circulação de informações em um período marcado pela pós-verdade.
Outra faixa comentada foi Na Minha Carne Viva, que conta com a participação de Marisa Monte na composição. Adriana relacionou a música à forma como as redes sociais estimulam julgamentos e opiniões sobre a vida alheia.
Marisa Monte também é apontada por Adriana como madrinha da parceria. A cantora e compositora integra uma trajetória de relações artísticas que inclui ainda Carlinhos Brown, um dos compositores de Sorriso Livro, escolhida por Adriana e Arnaldo por ser uma música que ambos admiravam.
Os dois afirmaram que o show do Coala Festival foi decisivo para a criação do álbum e da turnê. Para Adriana, o encontro exigiu ensaios e preparação para evitar um formato baseado apenas na apresentação de sucessos individuais.
Fonte: g1