Uma operação do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) na residência da deputada democrata Ilhan Omar, realizada na segunda-feira, tornou-se tema da campanha para as eleições legislativas de novembro. Democratas acusaram o governo de Donald Trump de usar a estrutura federal para pressionar uma adversária, enquanto o presidente tentou se afastar da ação e ampliou seus ataques contra imigrantes e cidadãos americanos de origem árabe.
O czar da fronteira da Casa Branca, Tom Homan, afirmou à Fox News que agentes cumpriram um mandado judicial como parte de uma investigação envolvendo Omar. Segundo fontes anônimas citadas pela emissora, o caso estaria relacionado a uma apuração criminal por fraude em documentos apresentados em nome da deputada por seu pai, que já morreu.
Omar negou as acusações e classificou a operação como perseguição política, a três semanas das eleições parlamentares. Em uma rede social, afirmou que a ação representava uma tentativa de atingir inimigos políticos e transformar a aplicação da lei federal em instrumento de intimidação.
Trump declarou não saber os motivos da operação, mas chamou Omar de desastre durante um comício e voltou a fazer ataques contra a origem somali da deputada, que nasceu na Somália, chegou aos Estados Unidos ainda criança como refugiada e se tornou cidadã americana em 2000. Ele também atacou Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan, a quem chamou de jihadista, e elogiou o adversário republicano Mike Rogers.
Integrantes do Partido Democrata disseram que a operação representa abuso de poder e uma escalada na utilização das forças federais contra adversários políticos. As eleições de novembro renovarão um terço do Senado e todas as cadeiras da Câmara dos Representantes.
Durante o comício, Trump também retomou uma alegação falsa sobre imigrantes haitianos em Springfield, usada por ele na campanha presidencial de 2024. A retórica anti-imigração é empregada pelo presidente para mobilizar a base republicana na disputa pelo controle do Legislativo.
Fonte: O Globo