Gravações de chamadas de emergência revelaram falhas de comunicação entre funcionários da prisão de Riverbend, no Tennessee, e atendentes durante a tentativa malsucedida de execução de Christa Pike, em 30 de setembro de 2026. A detenta recebeu duas doses de pentobarbital, sobreviveu e precisou ser levada ao hospital.
Por volta das 20h40, um interlocutor aparentemente localizado na área onde as injeções eram aplicadas informou aos serviços de emergência que Pike continuava viva. O pedido foi inicialmente tratado como falso porque a pessoa não conseguiu confirmar a própria identidade por meio de um código.
Às 21h07, funcionários da área de comando central da prisão disseram que seriam os responsáveis pela ligação e que não haviam feito o contato. Apenas por volta das 21h11 a equipe penitenciária confirmou que o pedido era verdadeiro, permitindo a entrada dos socorristas na unidade.
Às 21h34, enquanto Pike era transportada para o hospital, um socorrista pediu a um colega que verificasse se a prisão sabia para onde ela estava sendo levada. Ele justificou a preocupação pela quantidade de confusão registrada durante o atendimento.
Os áudios e as transcrições foram divulgados pelo Nashville Banner. A BBC informou que pediu esclarecimentos ao Departamento de Correções do Tennessee, que ainda não havia explicado o que provocou o fracasso da execução.
A defesa levantou a hipótese de que o pentobarbital possa ter se espalhado sob a pele, sem chegar à corrente sanguínea em quantidade suficiente para causar a morte. A explicação não foi confirmada oficialmente.
Pike recebeu alta hospitalar. Em atualizações anteriores, seus advogados disseram que ela havia recuperado a capacidade de caminhar e falar, mas alertaram que a recuperação seria demorada.
Condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, cometido em 1995, Pike é apontada como a única pessoa conhecida a sobreviver a uma tentativa de execução por injeção letal depois de receber uma substância durante o procedimento.
Após o episódio, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções no estado até o fim de 2026 e afirmou que pretende esclarecer as circunstâncias. O chefe do Departamento de Correções também está deixando o cargo.
Ainda não há definição sobre uma nova tentativa de execução. Os advogados de Pike pedem que a pena de morte seja substituída por prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Fonte: O Globo