Gravações de chamadas de emergência revelaram que a resposta ao pedido de socorro de Christa Pike, após uma tentativa malsucedida de execução na prisão de Riverbend, no Tennessee, levou mais de meia hora em 30 de setembro de 2026.
Pike, de 50 anos, recebeu duas doses de pentobarbital, mas sobreviveu e precisou ser levada ao hospital. O pedido de ambulância foi inicialmente tratado como falso porque o interlocutor não conseguiu confirmar a própria identidade por meio de um código.
Durante a ligação, a pessoa afirmou que a execução havia sido realizada, mas que Pike continuava viva. O Departamento de Comunicações de Emergência de Nashville compartilhou os registros com outras agências enquanto tentava verificar a autenticidade do chamado.
Às 21h07, funcionários da área de comando central da prisão disseram que seriam os responsáveis pela ligação e negaram ter feito o contato. Somente por volta das 21h11 os funcionários penitenciários confirmaram que o pedido, feito cerca de meia hora antes, era verdadeiro, liberando a entrada dos socorristas.
Às 21h34, durante o transporte de Pike para o hospital, um socorrista pediu a um colega que confirmasse se a prisão sabia para onde ela estava sendo levada. Segundo ele, a preocupação ocorreu por causa da confusão registrada no atendimento.
Os áudios e as transcrições foram divulgados pelo Nashville Banner. A BBC informou que procurou o Departamento de Correções do Tennessee, mas o órgão ainda não havia explicado o que provocou o fracasso da execução.
A defesa levantou a hipótese de que o pentobarbital possa ter se espalhado sob a pele, sem chegar à corrente sanguínea em quantidade suficiente para provocar a morte. A explicação não foi confirmada oficialmente.
Pike recebeu alta hospitalar. Em atualizações anteriores, os advogados disseram que ela havia recuperado a capacidade de caminhar e falar, mas alertaram que a recuperação seria demorada.
Após o procedimento, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções no estado até o fim de 2026 e afirmou que pretende esclarecer o ocorrido. O chefe do Departamento de Correções também está deixando o cargo.
Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, cometido em 1995 com a participação de seu então namorado, Tadaryl Shipp. Os advogados pedem que a pena seja substituída por prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, enquanto ainda não há definição sobre uma nova tentativa de execução.
Fonte: O Globo