O cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, afirma que Lula e Flávio Bolsonaro chegam à última semana da campanha em patamar semelhante ao registrado em abril, mas que o eleitorado ainda está em movimento e pode alterar o voto até 4 de outubro.
Segundo Nunes, a estabilidade dos números gerais esconde trocas entre candidatos, indecisos e eleitores que pretendem anular o voto. Cerca de 10% do eleitorado não se identifica com nenhum dos dois principais polos e pode ser decisivo em uma disputa equilibrada.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, aproximadamente um terço dos entrevistados ainda não escolheu um candidato. Na estimulada, a indecisão é menor, mas chega a níveis mais altos no Sudeste e no Sul do que no Nordeste.
O texto aponta que 7% dos eleitores se dizem "decididos indecisos", enquanto 9% afirmam que a crise do Supremo Tribunal Federal pode mudar sua escolha. Esses grupos representam milhões de eleitores e podem influenciar o resultado da eleição.
Para a reta final, Nunes cita três fatores: as medidas do governo voltadas às mulheres, a migração de votos de candidatos como Cury, Caiado, Renan e Zema e o debate da Globo. A primeira pesquisa Quaest após o anúncio do pacote para as mulheres deve medir seus possíveis efeitos sobre o eleitorado.
O voto útil também pode alterar a disputa, principalmente entre eleitores de candidatos que não lideram os cenários. Entre os eleitores de Cury, 41% dizem que podem mudar de voto; o percentual chega a 52% entre os de Caiado e a 51% entre os de Renan.
O debate da Globo será transmitido às 21h, em horário nobre, e deve ampliar a atenção sobre a disputa. De acordo com a análise, o encontro pode alcançar eleitores que tradicionalmente acompanham novelas e costumam decidir o voto mais tarde, especialmente mulheres com mais de 60 anos e menor escolaridade.
Fonte: O Globo