O eleitorado brasileiro ainda pode alterar o voto até 4 de outubro, apesar de Lula e Flávio Bolsonaro chegarem à última semana da campanha em patamar semelhante ao registrado em abril, segundo análise de Felipe Nunes, diretor da Quaest.
Para Nunes, a estabilidade dos números gerais não significa que a disputa esteja parada. Ao longo da campanha, eleitores indecisos ou independentes teriam circulado entre candidatos, votos nulos e os dois principais polos da eleição.
Na pesquisa espontânea, feita sem a apresentação dos nomes dos candidatos, cerca de um terço dos entrevistados ainda não sabe em quem votar para presidente. Na modalidade estimulada, o nível de indecisão é menor, mas varia entre as regiões.
O Nordeste concentra o menor índice de indecisos, enquanto Sudeste e Sul apresentam percentuais mais altos. O Sudeste, segundo a análise, é a região em que o voto está menos consolidado.
Nunes também afirma que os chamados “decididos indecisos” representam 7% do eleitorado, o equivalente a mais de 10 milhões de pessoas. Outros 9%, ou cerca de 14 milhões de eleitores, dizem que a crise do Supremo Tribunal Federal pode influenciar a escolha.
Três fatores podem pesar na reta final: medidas anunciadas pelo governo para mulheres, a migração de votos de candidatos que estão fora da polarização e o debate da TV Globo. A primeira pesquisa Quaest após o pacote voltado às mulheres estava prevista para esta segunda-feira, 28 de setembro.
O voto útil também pode alterar o cenário, com eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema migrando para Lula ou Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores de Cury, 41% afirmam que ainda podem mudar de voto; entre os de Caiado, o índice é de 52%, e entre os de Renan, de 51%.
O debate da TV Globo, marcado para o horário nobre, deverá colocar Lula e Flávio Bolsonaro frente a frente pela primeira vez na campanha. A avaliação de Felipe Nunes é que a audiência pode mobilizar eleitores menos interessados na disputa, especialmente mulheres com mais de 60 anos e menor escolaridade.
Fonte: O Globo