Anunciada pelo governo federal na noite de 25 de setembro, a medida provisória que determina a proibição dos sites de apostas no Brasil provocou reação de clubes, dirigentes e empresas do setor. Algumas bets já comunicaram a possibilidade de romper contratos de patrocínio, aumentando a preocupação com as receitas do futebol brasileiro.
O Flamengo informou que não tem um plano imediato para substituir os R$ 268,5 milhões recebidos por temporada da Betano. O presidente Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, estima perdas entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões em 2027 e afirmou à CNN que o clube pode ter dificuldades para cumprir compromissos assumidos para o próximo ano.
Em nota, o Flamengo defendeu mudanças na regulamentação das apostas, mas criticou o desmonte do mercado e classificou o tema como uma questão de segurança jurídica.
De acordo com a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, clubes, federações e competições têm até as 23h59 de 5 de outubro de 2026 para retirar peças e ações publicitárias de bets. Com isso, 14 clubes da Série A deverão voltar a campo após a Data Fifa sem marcas de casas de apostas nas camisas. O Brasileirão e a Copa do Brasil também terão os nomes alterados.
O Fluminense está entre os clubes notificados por patrocinadores. A Superbet, que mantém contrato com o clube até o fim de 2029, no valor de R$ 58 milhões por ano, comunicou a possibilidade de encerramento do acordo.
O presidente Mattheus Montenegro afirmou à CNN que o impacto para o Fluminense pode superar R$ 100 milhões, considerando também contratos de placas de campo e camisas já produzidas com antecedência. São Paulo, Vasco e Palmeiras também foram notificados sobre possíveis encerramentos de contratos com Superbet e Sportingbet.
A Betano, patrocinadora do Flamengo e parceira da Confederação Brasileira de Futebol no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil, afirmou que monitora o assunto com preocupação e que tomará decisões no momento apropriado.
Os contratos com bets movimentariam cerca de R$ 1,1 bilhão em patrocínios máster dos clubes da Série A em 2026. Em 2024, quando os 20 clubes da elite tinham casas de apostas nas camisas, como patrocinadoras máster ou secundárias, o valor era de aproximadamente R$ 523 milhões.
Levantamento citado pelo GLOBO indica que nenhum contrato com bet representa mais de 13% do orçamento de um clube da Série A. As receitas de patrocínios de casas de apostas correspondem, em média, a cerca de 7% da receita dos participantes do campeonato.
O Flamengo é o clube mais dependente desse tipo de patrocínio, com 12,85% do orçamento oriundo de uma casa de apostas. Corinthians, com 10,6%, e São Paulo, com 10,5%, são os outros clubes cuja participação supera 10% do orçamento bruto.
Fonte: O Globo