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sábado, 26 de setembro de 2026

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TECNOLOGIA

Conselhos de chatbots podem influenciar decisões pessoais, aponta estudo

Estudo mostra que conselhos do ChatGPT podem influenciar decisões humanas de forma semelhante às recomendações de especialistas.

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Conselhos de chatbots de inteligência artificial podem influenciar decisões humanas em áreas como dilemas morais, escolhas econômicas e avaliações profissionais, segundo estudo publicado em 2024 na revista científica Scientific Reports.

Conduzida por Shinnosuke Ikeda, da Universidade de Kanazawa, no Japão, a pesquisa reuniu 1.925 participantes em experimentos online. Os voluntários receberam recomendações apresentadas como produzidas pelo ChatGPT ou por especialistas humanos e, em determinadas situações, mudaram suas respostas de forma semelhante nos dois grupos.

O estudo também indicou que pessoas com maior dificuldade para tomar decisões e mais receio de errar eram mais suscetíveis às recomendações. Os pesquisadores observaram, porém, que a influência variou conforme o tipo de decisão e não ocorreu em todos os cenários.

Para Cleber Zanchettin, professor de Engenharia da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em inteligência artificial, o uso frequente da ferramenta pode ampliar a personalização das respostas. Segundo ele, quanto mais decisões o usuário delega ao chatbot, mais dados o sistema reúne sobre seus hábitos e preferências, o que pode tornar os conselhos mais convincentes.

Esse processo também pode aumentar a dependência da tecnologia, avalia o professor. Ao deixar de decidir por conta própria, o usuário pode passar a esperar que a ferramenta indique o que fazer em situações futuras.

Nas recomendações de compras, há ainda o risco de informações enviesadas. Os chatbots não testam diretamente os produtos: eles formulam respostas com base em conteúdos disponíveis na internet, como avaliações de consumidores e informações divulgadas por fornecedores.

A orientação, segundo Zanchettin, não é abandonar a inteligência artificial, mas usá-la como apoio. Em vez de pedir que o sistema escolha um produto ou tome uma decisão, o usuário pode solicitar comparações, alternativas e prós e contras, mantendo a palavra final.

O estudo foi realizado apenas com participantes japoneses e em situações controladas. Por isso, os resultados indicam uma possibilidade de influência dos conselhos de IA, mas não comprovam, por si só, que usuários estejam necessariamente terceirizando decisões cotidianas ou desenvolvendo dependência da tecnologia.

Fonte: g1

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