Um estudo do NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que o Kwai não atende integralmente às exigências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a transparência de anúncios político-eleitorais. O levantamento analisou a biblioteca de anúncios da plataforma até 16 de setembro de 2026.
Segundo o estudo, a ferramenta informa gastos e alcance apenas por faixas de valores e não apresenta o perfil do público efetivamente atingido. Os pesquisadores também apontaram limitações para buscar anúncios por palavras-chave e para coletar dados automaticamente em grande escala.
O levantamento não identificou necessariamente anúncios irregulares no Kwai. A conclusão apresentada é que as limitações da plataforma dificultam verificar de forma abrangente se esse tipo de publicidade está circulando.
Entre os 11 critérios avaliados com base nas normas eleitorais, cinco não teriam sido atendidos, três foram considerados cumpridos integralmente e três tiveram atendimento parcial ou não puderam ser verificados completamente.
A Resolução TSE nº 23.610/2019, atualizada por normas posteriores, estabelece que plataformas que oferecem impulsionamento político-eleitoral mantenham informações sobre anúncios, valores, responsáveis pelo pagamento, alcance e características da audiência. Também prevê ferramentas de consulta e mecanismos para a coleta sistemática de dados.
O NetLab informou que pretende apresentar o levantamento ao TSE. O tribunal declarou que avalia o conteúdo do relatório e que poderá tomar providências conforme as regras aplicáveis à propaganda eleitoral.
Em resposta, o Kwai afirmou que seu Plano de Conformidade Eleitoral para 2026 foi revisado e aprovado pelo TSE. A empresa disse que suas ferramentas foram desenvolvidas para cumprir a regulamentação e que a extração automatizada de dados pode ser solicitada por meio do Portal de Solicitação de Aplicação da Lei.
O TSE divulgou em setembro que o plano do Kwai prevê medidas de monitoramento de conteúdo, combate a redes falsas, identificação de materiais manipulados, regras para publicidade política e atendimento permanente à Justiça Eleitoral durante o período eleitoral.
Fonte: g1