O jornal The New York Times afirmou, em reportagem publicada nesta quinta-feira, 25 de setembro de 2026, que a crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), redesenha a eleição presidencial brasileira e fortalece a direita.
Segundo o jornal, a crise começou após a divulgação de mensagens que teriam sido trocadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude, e Moraes. As mensagens mencionariam pedidos de ajuda para evitar a prisão e um contrato milionário com a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
O New York Times ressaltou, porém, que a polícia não teve acesso às eventuais respostas de Moraes e não concluiu que o ministro tenha ajudado Vorcaro. Ainda assim, a revelação teria se transformado em uma questão eleitoral relevante e provocado reações entre brasileiros.
A reportagem afirmou que o episódio favoreceu a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), que associou Moraes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e mobilizou setores da direita contra o ministro. Moraes determinou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador, no contexto das investigações sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022.
O jornal também citou que Flávio Bolsonaro é investigado por supostamente ter recebido recursos de Vorcaro para financiar uma cinebiografia sobre o pai, intitulada "Dark horse". De acordo com a publicação, a crise envolvendo o Judiciário acabou ofuscando esse caso.
Na avaliação do New York Times, Moraes teve papel central na defesa da integridade das eleições de 2022 e na transição de governo, mas também se tornou alvo de críticas por prisões, decisões sobre discursos na internet e falta de transparência apontada por adversários. A reportagem afirmou que o debate alcançou Washington e provocou críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O jornal disse ainda que novas revelações atribuídas a Vorcaro atingiram outros ministros, incluindo Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Segundo a publicação, a crise aumentou a percepção de que o STF estaria assumindo posições políticas e levantou dúvidas sobre a capacidade da Corte de enfrentar novos ataques às instituições brasileiras.
Fonte: O Globo