A Academia Goncourt retirou nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, o romance C’était ça ou mourir, do escritor canadense de origem haitiana Thélyson Orélien, da seleção do principal prêmio literário da França. A decisão foi atribuída a suspeitas de uso amplo de inteligência artificial e a acusações de plágio.
Segundo a academia, análises realizadas por pesquisadores e jornalistas apontaram que o livro seria, muito provavelmente, em grande parte produzido por IA. A instituição também mencionou denúncias de plágios em textos publicados no Canadá há mais de uma década. ([euronews.com](https://www.euronews.com/2026/09/23/literary-sensation-cetait-ca-ou-mourir-faces-ai-authorship-claims?utm_source=openai))
O romance havia sido incluído na primeira seleção do Goncourt e se tornou um dos destaques da temporada literária francesa, com presença em listas de outros prêmios e vendas superiores a 35 mil exemplares, segundo reportagens publicadas antes da retirada. O livro foi lançado no Canadá pela Boréal e, na França, pela Grasset. ([uk.marketscreener.com](https://uk.marketscreener.com/news/canadian-and-french-publishers-stand-by-author-accused-of-using-ai-for-prize-winning-novel-ce785ad9de8df022?utm_source=openai))
As acusações começaram a circular no início da semana a partir de uma conta anônima na rede X. O ensaísta francês Samuel Fitoussi afirmou posteriormente que estava por trás do perfil, que teria sido criado como um projeto coletivo. Ferramentas de detecção de IA foram usadas nas primeiras alegações, mas especialistas e veículos jornalísticos também registraram questionamentos sobre a confiabilidade desse tipo de análise. ([agerpres.ro](https://agerpres.ro/cultura/2026/09/22/scriitorul-thelyson-orelien-premiat-recent-in-franta-acuzat-ca-a-utilizat-ai--1596015?utm_source=openai))
Orélien afirmou à AFP que pretende se manifestar quando a controvérsia diminuir e disse considerar que o objetivo passou a ser atacar sua voz e silenciá-lo. A editora Boréal suspendeu atividades promocionais relacionadas ao autor no Canadá, enquanto ele permanecia na França para compromissos de divulgação do romance.
O caso ampliou o debate sobre os critérios para identificar o uso de inteligência artificial na literatura e sobre a responsabilidade de editoras e instituições literárias diante de acusações que ainda não foram objeto de decisão judicial.
Fonte: G1