A Academia Goncourt retirou nesta sexta-feira (25) o romance C’était ça ou mourir, do escritor canadense de origem haitiana Thélyson Orélien, da lista de candidatos ao principal prêmio literário da França. A decisão ocorreu após acusações de uso disseminado de inteligência artificial e de plágio em textos antigos.
Em comunicado, a organização afirmou que se baseou em resultados convergentes de análises feitas por pesquisadores e jornalistas, segundo os quais o livro seria, “com toda probabilidade”, em grande parte produzido por inteligência artificial. A afirmação representa a posição da Academia e não uma comprovação judicial ou técnica definitiva sobre a autoria da obra.
As acusações começaram na segunda-feira (21), quando a conta anônima “Balance ton Claude”, na rede X, publicou análises que apontariam uso de IA em trechos do romance. O autor nega ter recorrido à tecnologia para escrever o livro.
Dois dias depois, surgiram alegações de que Orélien teria reproduzido textos publicados no Canadá há mais de uma década. A editora Boréal, responsável pela publicação canadense, anunciou a suspensão temporária das atividades promocionais relacionadas ao romance.
Orélien, de 38 anos, está na França para divulgar o livro, que se tornou um fenômeno editorial e figurava entre os candidatos aos principais prêmios da temporada. À AFP, ele disse que pretende se manifestar quando a situação se acalmar e afirmou que há uma tentativa de atacar sua obra e silenciar sua voz.
Samuel Fitoussi, ensaísta e colaborador do jornal francês Le Figaro, reconheceu ser o responsável pela conta que iniciou as acusações e disse que a iniciativa foi conduzida por um grupo. O episódio ampliou o debate no mercado editorial sobre os limites do uso de inteligência artificial na criação literária e sobre os métodos usados para identificar textos produzidos com auxílio dessas ferramentas.
Fonte: g1