A música sertaneja voltou ao topo do consumo musical no Brasil no primeiro semestre de 2026, impulsionada por “Eu Te Seguro (Ao Vivo)”, de Panda, segundo levantamento da Pró-Música Brasil que reúne dados das principais plataformas de streaming. A liderança ocorre após períodos em que o pagode ocupou a primeira posição. ([billboard.com.br](https://billboard.com.br/panda-lidera-ranking-das-musicas-mais-tocadas/))
O resultado expressa a capacidade de transformação de um gênero que nasceu associado à música caipira e às narrativas do campo, mas passou por sucessivas adaptações até alcançar o público urbano e se consolidar como um dos principais produtos da indústria cultural brasileira.
O marco inicial costuma ser associado à gravação de “Jorginho do Sertão”, em 1929, por Mariano e Caçula, a partir de composição de Cornélio Pires. Naquele período, a moda de viola era difundida pelo rádio e pelas primeiras gravações, enquanto músicos urbanos ajudavam a profissionalizar uma produção antes ligada principalmente ao ambiente rural.
Na fase seguinte, duplas como Tonico & Tinoco ampliaram o alcance do gênero. A música passou a chegar às cidades pequenas e às zonas rurais por meio do rádio, incorporando temas de saudade, êxodo rural e idealização da vida no campo.
A partir dos anos 1960, o sertanejo incorporou elementos da Jovem Guarda, guitarras elétricas e referências da música mexicana. A guinada pop se consolidou nas décadas de 1980 e 1990, com o sertanejo romântico de Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano, João Paulo & Daniel e outras duplas.
Na virada do século, o chamado sertanejo universitário aproximou o gênero do pop, do rock, do axé e de outras vertentes da música popular. Mais tarde, movimentos como o feminejo ampliaram a presença das mulheres, enquanto o agronejo passou a associar a sonoridade sertaneja a referências do agronegócio, da ostentação e das festas de cidades pequenas e médias.
O sucesso atual de Panda reforça essa trajetória de renovação. Jonathan Scarello dos Anjos, nome civil do cantor, começou a carreira em bares e alcançou destaque nacional com “Eu Te Seguro”; além da liderança, ele aparece com outras faixas entre as mais ouvidas do país e integra a programação de grandes eventos sertanejos em 2026. ([gshow.globo.com](https://gshow.globo.com/google/amp/festivais/circuito-sertanejo/noticia/fenomeno-do-sertanejo-panda-explica-apelido-e-relembra-inicio-da-carreira-em-botecos.ghtml))
O levantamento do primeiro semestre também mostra a diversidade do mercado brasileiro: embora o sertanejo lidere, músicas de pop, funk e pagode permanecem entre as primeiras posições. Das 50 faixas listadas, 48 são brasileiras, de acordo com os dados divulgados pela Billboard Brasil. ([billboard.com.br](https://billboard.com.br/panda-lidera-ranking-das-musicas-mais-tocadas/))
Fonte: g1