A música sertaneja voltou ao topo das paradas brasileiras em 2026, impulsionada pelo sucesso de “Eu Te Seguro”, do cantor Panda, segundo levantamento da Pró-Música Brasil com dados de plataformas de streaming. O resultado reflete quase um século de transformações no gênero, que passou da moda de viola ao sertanejo universitário e ao agronejo.
As primeiras gravações associadas à música caipira surgiram no fim dos anos 1920. Um marco foi “Jorginho do Sertão”, registrada em 1929 pela dupla Mariano e Caçula a partir de composição de Cornélio Pires.
Nas décadas seguintes, o gênero se profissionalizou, ganhou espaço no rádio e alcançou públicos urbanos e rurais. Duplas como Raul Torres e Florêncio, além de Tonico & Tinoco, ajudaram a consolidar a formação de duas vozes acompanhadas por violão e viola.
A partir dos anos 1950, a música sertaneja incorporou elementos da guarânia paraguaia e da ranchera mexicana. O repertório também passou a explorar com mais frequência a nostalgia do campo, o êxodo rural e as histórias de migrantes que viviam nas cidades.
Nos anos 1960, artistas como Léo Canhoto & Robertinho aproximaram o gênero da Jovem Guarda, com guitarras elétricas e maior ênfase nas canções românticas. A mudança abriu caminho para a vertente popularizada nos anos 1980 por nomes como Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano e João Paulo & Daniel.
Na virada do século, o sertanejo universitário incorporou referências do pop, do rock e do axé, além de adotar temas ligados a relacionamentos, festas e vida urbana. O movimento também ampliou a presença de artistas solo, enquanto a tradicional formação em dupla permaneceu como símbolo do gênero.
Mais recentemente, o feminejo levou mulheres ao centro das paradas, com nomes como Marília Mendonça, Maiara & Maraísa, Simone & Simaria e Naiara Azevedo. Em paralelo, o agronejo passou a combinar sertanejo com batidas eletrônicas, funk e pop, frequentemente associado a narrativas de ostentação e à valorização do agronegócio.
Para pesquisadores ouvidos pela reportagem, a permanência do sertanejo está ligada à capacidade de incorporar ritmos e temas de diferentes origens. O gênero também acompanha mudanças demográficas e culturais do país, especialmente o crescimento de cidades pequenas e médias e a urbanização da população.
Fonte: G1