A música sertaneja voltou ao topo do streaming brasileiro no primeiro semestre de 2026, com Eu Te Seguro (Ao Vivo), de Panda, liderando o ranking nacional de reproduções em plataformas digitais divulgado pela Pró-Música Brasil.
Panda é o nome artístico de Jonathan Scarello dos Anjos, que alcançou projeção nacional com a faixa lançada em parceria com a MJ Records. O levantamento reúne dados de serviços como Spotify, YouTube, Deezer, Apple Music, Amazon Music e Napster.
O resultado também evidencia a amplitude alcançada pelo gênero, que deixou de se limitar à representação da vida rural e passou a incorporar elementos do pop, do rock, do axé, do funk, do reggaeton e da música eletrônica.
A trajetória costuma ser associada à gravação de Jorginho do Sertão, em 1929, na voz da dupla Mariano e Caçula. A iniciativa foi viabilizada pelo jornalista e folclorista Cornélio Pires, que financiou a gravação e a prensagem dos discos após não encontrar uma gravadora disposta a investir na música caipira.
Ao longo das décadas, o gênero acompanhou a urbanização brasileira. As canções passaram de relatos sobre o cotidiano do campo e a migração para narrativas de saudade, romantismo, relações amorosas, festas, consumo e ostentação.
Nos anos 1980, a vertente romântica ampliou a presença do sertanejo na grande mídia, com duplas como Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano e João Paulo & Daniel. Na virada do século, o sertanejo universitário aproximou o gênero do pop e do público jovem urbano.
Mais recentemente, o feminejo ampliou o espaço das mulheres entre os principais nomes do segmento, enquanto o agronejo passou a associar a sonoridade sertaneja a referências do agronegócio, batidas eletrônicas e elementos do funk. Para pesquisadores ouvidos na reportagem, a capacidade de incorporar influências externas ajuda a explicar a permanência do gênero entre os mais consumidos do país.
Fonte: g1