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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

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CULTURA

Sertanejo chega ao topo do streaming após quase um século de transformações

Do caipira ao agronejo, o sertanejo atravessou quase um século de mudanças e voltou ao topo do streaming brasileiro em 2026.

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A música sertaneja voltou ao topo das paradas brasileiras no primeiro semestre de 2026, impulsionada pela faixa “Eu Te Seguro (Ao Vivo)”, do cantor Panda, segundo levantamento da Pró-Música Brasil com dados de plataformas de streaming.

O resultado reforça a permanência do gênero como um dos principais fenômenos da música popular no país. A liderança atual, porém, está distante da música caipira que começou a ser registrada comercialmente no fim dos anos 1920.

A primeira gravação considerada um marco do segmento foi “Jorginho do Sertão”, composta por Cornélio Pires e lançada em 1929 nas vozes de Mariano e Caçula. A produção independente ajudou a levar a moda de viola ao mercado fonográfico e abriu caminho para a profissionalização de artistas do interior.

Ao longo das décadas, o gênero acompanhou mudanças sociais e econômicas do Brasil. Segundo pesquisadores ouvidos pela reportagem, as canções passaram das narrativas sobre o trabalho rural e os costumes do campo para temas ligados à saudade dos migrantes, ao romantismo e à vida urbana.

Na década de 1940, Tonico & Tinoco se consolidaram como uma das principais duplas do período, ampliando o alcance da música caipira entre públicos urbanos e rurais. A partir dos anos 1950, a expressão “música sertaneja” passou a prevalecer e o estilo incorporou influências da guarânia paraguaia e da ranchera mexicana.

Nos anos 1960, a combinação com elementos da Jovem Guarda e o uso de instrumentos elétricos aproximaram o sertanejo das novas gerações. A transformação ganhou força nos anos 1980, quando duplas como Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano, João Paulo & Daniel e Rick & Renner ajudaram a levar o sertanejo romântico ao centro da indústria musical.

Na virada do século, o sertanejo universitário incorporou referências do pop, do rock e do axé, além de adotar temas relacionados a relacionamentos, festas e consumo. O movimento também ampliou a presença de artistas que atuam em carreira solo, embora a dupla continue sendo um símbolo associado ao gênero.

Nos últimos anos, o feminejo deu maior visibilidade a cantoras e duplas femininas, com nomes como Marília Mendonça, Maiara & Maraísa, Simone & Simaria, Naiara Azevedo e Paula Fernandes. Paralelamente, o agronejo passou a combinar o sertanejo com batidas eletrônicas, pop e funk, além de incorporar referências ao agronegócio e à ostentação.

Para os pesquisadores entrevistados, a capacidade de absorver influências de outros estilos explica parte da permanência do sertanejo. A música que antes retratava principalmente o campo passou a acompanhar a urbanização, o crescimento de cidades médias e pequenas e as mudanças no consumo cultural brasileiro.

A morte de Rick, da dupla com Renner, em um acidente de helicóptero ocorrido em Santa Catarina em 21 de setembro de 2026, também aparece como referência recente à trajetória do sertanejo romântico. O acidente matou os cinco ocupantes da aeronave, segundo informações do Corpo de Bombeiros e da Força Aérea Brasileira.

Fonte: G1

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