A Justiça do Ceará manteve a prisão preventiva de João Munhoz Neto, namorado da estudante Isabelle Caracristi, encontrada morta após cair do rooftop de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, em 13 de setembro. Ele é investigado por violência psicológica e por possível indução, instigação ou auxílio ao suicídio.
O caso inicialmente foi tratado como uma morte decorrente de precipitação voluntária. Exames periciais identificaram lesões compatíveis com o impacto contra o solo, e os investigadores afirmam que não encontraram sinais de agressão no apartamento onde Isabelle morava com João e familiares.
A Polícia Civil do Ceará, porém, passou a apurar outras circunstâncias relacionadas ao relacionamento do casal. Depoimentos reunidos no inquérito apontam, segundo o delegado-geral Márcio Gutiérrez, comportamento controlador, restrições à circulação da jovem e tentativas de afastá-la de familiares e conhecidos.
João foi preso preventivamente em 22 de setembro. A audiência de custódia ocorreu no dia seguinte, e o Núcleo de Custódia e das Garantias da Comarca de Fortaleza decidiu manter a prisão. O processo tramita sob sigilo, e a defesa informou que pretende pedir a revogação da medida.
A defesa nega que existam motivos para a prisão e afirma que não há indícios de feminicídio, homicídio ou instigação ao suicídio. A advogada também sustenta que João não estava no prédio no momento da queda e que ele teria ficado abalado após saber da morte.
As imagens de segurança mostram Isabelle chegando ao condomínio, entrando sozinha em um elevador e seguindo para o rooftop, onde não havia câmeras. Mais de 700 vídeos de áreas do prédio e das proximidades são analisados pela polícia para reconstruir os deslocamentos e os horários.
A investigação também incluiu a apreensão de um celular e de um tablet pertencentes à mãe de João, Sara Regina Alexandre Munhoz, durante uma diligência realizada em 20 de setembro, no Cumbuco, em Caucaia. Os aparelhos e outros dados eletrônicos passam por análise pericial.
A Polícia Civil ainda deve colher novos depoimentos, examinar mensagens e concluir perícias complementares. Até o momento, João é investigado, não foi denunciado nem condenado, e a dinâmica exata da morte permanece sob apuração.
Fonte: g1