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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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CULTURA

Sertanejo lidera o streaming e se reinventa do caipira ao agronejo

O sertanejo lidera o streaming no Brasil e se transforma ao incorporar pop, funk, música eletrônica e referências do agronegócio.

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A música sertaneja se consolidou como o gênero mais ouvido do Brasil contemporâneo e continua incorporando elementos de outros estilos, segundo levantamento da Pró-Música Brasil citado em reportagem publicada pelo g1 em 23 de setembro de 2026. Na lista mais recente da entidade, a canção sertaneja “Eu Te Seguro”, interpretada por Panda, aparece como a mais reproduzida nas plataformas de streaming.

O sertanejo atual, porém, se distancia da música caipira gravada a partir do fim dos anos 1920. A reportagem mostra que o gênero passou por transformações associadas à urbanização, ao êxodo rural e às mudanças no mercado fonográfico, deixando de narrar apenas o cotidiano do campo para abordar relações amorosas, festas, consumo e ostentação.

Um marco da história do gênero ocorreu em 1929, quando Cornélio Pires viabilizou a gravação de “Jorginho do Sertão”, na voz de Mariano e Caçula. A iniciativa ajudou a transformar a moda de viola e outras manifestações rurais em produtos de circulação nacional.

Nas décadas seguintes, o rádio ampliou o alcance da música caipira, enquanto duplas como Tonico & Tinoco ajudaram a popularizar histórias de saudade e de vida rural entre ouvintes que já viviam nas cidades. A partir dos anos 1950, a expressão “música sertaneja” passou a predominar e o gênero incorporou influências da guarânia paraguaia e da ranchera mexicana.

Nos anos 1960, artistas como Léo Canhoto & Robertinho aproximaram o sertanejo da Jovem Guarda, com guitarras elétricas e maior presença de temas amorosos. A partir dos anos 1980, a vertente romântica ganhou espaço na grande mídia com duplas como Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano, João Paulo & Daniel e, posteriormente, Rick & Renner.

Na virada do século, o sertanejo universitário incorporou referências do pop, do rock, do axé e, mais tarde, do funk, do reggaeton e da música eletrônica. O movimento também ampliou a presença de artistas solo e abriu espaço para o feminejo, associado a nomes como Marília Mendonça, Maiara & Maraisa, Simone & Simaria, Naiara Azevedo e Paula Fernandes.

Outra vertente recente é o agronejo, que combina o sertanejo com batidas eletrônicas, pop e funk e frequentemente apresenta referências ao agronegócio, à ostentação e à vida em cidades pequenas e médias. Pesquisadores ouvidos pela reportagem avaliam que a evolução do gênero acompanha mudanças sociais e econômicas do interior do país, mantendo a tradição narrativa enquanto incorpora novas linguagens e públicos.

Fonte: g1

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