A China amplia a construção de centros de dados e a formação de profissionais para fortalecer sua indústria de inteligência artificial enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, discutem tecnologia e segurança da IA em Washington.
Na região de Ulanqab, na Mongólia Interior, áreas conhecidas pela produção de batatas estão recebendo grandes complexos de computação. Segundo reportagem da BBC reproduzida pelo g1, instalações semelhantes também avançam nas províncias de Ningxia, Gansu e Guizhou, onde há mais disponibilidade de terra, clima frio e expansão das fontes eólica e solar.
O governo chinês considera os centros de dados estratégicos para a segurança nacional e para a economia. A meta de Pequim é ampliar o uso da IA para alcançar 90% das indústrias e de áreas da sociedade até 2030, além de utilizar a tecnologia para enfrentar o envelhecimento da população e automatizar setores produtivos.
A disputa tecnológica com os Estados Unidos também envolve o acesso a chips avançados. As restrições americanas a semicondutores e equipamentos estimularam empresas chinesas a desenvolver alternativas domésticas e modelos de IA mais baratos e de código aberto, que podem ser modificados por empresas, governos e usuários.
O avanço ocorre ao mesmo tempo em que os dois países avaliam possíveis mecanismos de segurança para sistemas de IA. A Casa Branca confirmou que Xi será recebido por Trump em uma visita de Estado nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, após chegar aos Estados Unidos nesta quarta-feira.
Na Mongólia Interior, a expansão dos centros de dados também provoca preocupações sobre o uso de água, o fornecimento de energia e a transferência de moradores. A reportagem ouviu agricultores que afirmam não ter percebido benefícios diretos dos projetos, enquanto outros moradores disseram que familiares conseguiram empregos nas novas instalações.
Pesquisadores citados pela BBC avaliam que mais engenheiros chineses estão permanecendo ou retornando ao país, em parte por causa das tensões com os Estados Unidos e das restrições à imigração. Ao mesmo tempo, professores e profissionais apontam limitações à abertura acadêmica e afirmam que a cultura de conformidade pode dificultar o questionamento e a inovação.
Fonte: g1