O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a interferência externa em processos eleitorais e defendeu a soberania nacional durante o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, em Nova York.
Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que o Brasil não é “quintal de ninguém” e disse que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre os países da região. Segundo ele, a democracia voltou a estar “em xeque” com a ingerência externa em eleições.
O presidente também criticou o Conselho de Segurança da ONU. Lula afirmou que a credibilidade do órgão está em seu nível mais baixo e voltou a defender mudanças no sistema internacional, incluindo a revisão do poder de veto das grandes potências.
Ao abordar os minerais críticos e as terras raras, Lula disse que a exploração das riquezas brasileiras deverá beneficiar a população do país. Ele defendeu que o acesso a esses recursos tenha como contrapartidas a geração de valor em território nacional e a transferência de tecnologia.
Na área de segurança, Lula afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar o crime organizado e rejeitou a necessidade de navios militares estrangeiros para proteger as águas brasileiras. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime”, disse.
Lula também afirmou que o governo pretende combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior. Sobre corrupção, declarou que o combate continuará “implacável” e repetiu: “Ninguém está acima da lei”.
Fonte: O Globo