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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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PESQUISA ELEITORAL

Segundo voto para o Senado muda cenário no Piauí e coloca Júlio César na liderança com 21%

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (22) mostra Júlio César (PSD) na liderança dessa escolha, com 21%, seguido por Marcelo Castro (MDB), com 19%, e Ciro Nogueira (PP), com 14%.

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Júlio César lidera segundo voto, aponta pesquisa DataFolha
Crédito: Ricardo Stuckert

A disputa pelas duas vagas do Senado no Piauí ganha uma configuração diferente quando o eleitor é questionado especificamente sobre o segundo voto. Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (22) mostra Júlio César (PSD) na liderança dessa escolha, com 21%, seguido por Marcelo Castro (MDB), com 19%, e Ciro Nogueira (PP), com 14%. O resultado revela uma dinâmica distinta daquela observada no primeiro voto e reforça o peso da segunda escolha na eleição para senador em 2026.

Júlio César cresce no segundo voto e passa à frente de Ciro Nogueira e Marcelo Castro

Na pergunta sobre o primeiro voto para o Senado, Ciro Nogueira aparece numericamente à frente, com 23%. Marcelo Castro registra 18% e Júlio César, 13%.

Quando o Datafolha pergunta sobre o segundo nome escolhido pelo eleitor, a ordem se altera.

Júlio César sobe para 21%, Marcelo Castro alcança 19% e Ciro Nogueira cai para 14%. A diferença evidencia que parte do eleitorado enxerga os candidatos de maneira diferente conforme define sua primeira e sua segunda preferência.

O desempenho de Júlio César é o dado que mais chama atenção. O candidato do PSD tem oito pontos percentuais a mais no segundo voto do que no primeiro, passando de 13% para 21%.

Ciro percorre o caminho inverso. O senador registra 23% como primeira escolha, mas aparece com 14% entre aqueles que o colocam como segundo nome.

Marcelo Castro apresenta maior estabilidade entre as duas perguntas: tem 18% no primeiro voto e 19% no segundo.

Eleição para o Senado permite ao eleitor escolher dois candidatos diferentes

A leitura dos números exige atenção a uma característica específica da eleição de 2026.

Neste ano, o eleitor piauiense poderá votar em dois candidatos ao Senado, porque duas das três cadeiras do estado estarão em disputa. Cada eleitor, assim, poderá registrar uma primeira e uma segunda escolha.

Esse formato torna a corrida diferente de uma eleição para governador, presidente ou prefeito, em que apenas um nome é escolhido por cargo.

No Senado, um candidato pode não aparecer como a primeira opção de determinado eleitor, mas ainda assim conquistar o segundo voto. Na prática, isso amplia a importância da capacidade de transitar entre grupos políticos distintos e de ser aceito como uma alternativa complementar.

É justamente nesse ponto que o resultado de Júlio César chama atenção.

O levantamento indica que ele aparece com mais força quando o eleitor precisa preencher a segunda escolha. Isso não significa, isoladamente, uma definição do resultado eleitoral, mas mostra que seu desempenho não depende apenas de ser o candidato prioritário de uma parcela do eleitorado.

Marcelo Castro mantém desempenho equilibrado entre as duas escolhas

Marcelo Castro também aparece em posição competitiva.

O candidato do MDB tem 18% como primeiro voto e 19% como segundo, uma variação pequena entre as duas perguntas.

Essa estabilidade o diferencia de Ciro Nogueira e Júlio César, que apresentam oscilações mais expressivas entre primeira e segunda preferência.

Na soma apresentada pelo Datafolha nos votos totais, Ciro e Marcelo aparecem empatados numericamente com 16%, enquanto Júlio César registra 14%.

Os números separados, porém, ajudam a revelar como esses percentuais são construídos.

Ciro concentra mais força como primeira opção. Júlio César cresce como segunda escolha. Marcelo permanece relativamente equilibrado nos dois momentos.

Essa divisão será um dos pontos centrais a acompanhar durante a campanha.

Ciro Nogueira lidera primeiro voto, mas perde força entre as segundas escolhas

Ciro Nogueira registra o maior percentual entre aqueles que indicam sua primeira escolha: 23%.

O resultado mostra uma base de eleitores que o coloca como prioridade para uma das cadeiras. No segundo voto, porém, seu percentual cai para 14%.

A diferença de nove pontos entre as duas respostas é maior do que a observada entre os outros dois candidatos que lideram a disputa.

Politicamente, a capacidade de ampliar o segundo voto poderá se tornar um objetivo importante para Ciro ao longo da campanha.

Em uma eleição de duas vagas, liderar como primeira escolha oferece uma vantagem relevante, mas a distribuição das segundas preferências também interfere diretamente na composição final da votação.

Para Júlio César, ocorre o contrário: o desafio será transformar parte da força observada como segunda preferência em uma presença mais robusta também entre os primeiros votos.

Indecisão diminui quando eleitor responde sobre a segunda escolha

Outro dado chama atenção na comparação entre as duas perguntas.

No primeiro voto, 12% dos entrevistados aparecem como indecisos e 18% respondem branco, nulo ou nenhum.

No segundo voto, os percentuais caem.

Os indecisos ficam em 7%, enquanto branco, nulo ou nenhum somam 8%.

A diferença sugere que uma parcela do eleitorado consegue apontar com mais facilidade uma segunda alternativa quando confrontada com a lista de candidatos. Esse comportamento pode ter relação com a própria lógica de uma eleição em que duas vagas estão disponíveis.

Entre os demais nomes, Tiago Junqueira (PL) aparece com 5% no segundo voto, seguido por Jorge Lopes (PSDB), com 4%.

Danniel Rocha (PSTU), Antônio José Lira (Avante) e Antônio Barros (Novo) registram 3% cada.

Cloves José (PCO), Maria Madalena Nunes (PSOL), Pedro Laurentino (UP) e Irmão Evandro Marques (DC) aparecem com 2%. Outros candidatos registram 1% ou menos.

Segundo voto pode virar peça central das estratégias de campanha

A pesquisa abre um novo campo de disputa para os três candidatos que aparecem nas primeiras posições.

Ciro Nogueira poderá buscar ampliar sua presença como segunda opção. Júlio César tentará preservar a vantagem nesse segmento e crescer entre os eleitores que definem o primeiro voto. Marcelo Castro, por sua vez, parte de uma situação de maior equilíbrio entre as duas escolhas.

As alianças políticas, a comunicação de campanha e a capacidade de conquistar eleitores que já definiram um nome podem ganhar peso.

A disputa não envolve apenas convencer o eleitor a abandonar sua primeira preferência. Em muitos casos, o objetivo será conquistar justamente o voto que ainda está disponível.

Esse aspecto pode estimular campanhas direcionadas ao chamado “segundo voto”, especialmente entre candidatos competitivos que percebam espaço para crescer sem necessariamente disputar frontalmente a primeira escolha do eleitor.

Próximas pesquisas mostrarão se liderança de Júlio César no segundo voto se mantém

O Datafolha ouviu 826 pessoas entre os dias 18 e 21 de agosto. A pesquisa, contratada pela TV Clube, tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PI-06656/2026.

Outras duas pesquisas encomendadas pela TV Clube estão previstas para 17 de setembro e 3 de outubro.

Esses novos levantamentos permitirão acompanhar se Júlio César continuará liderando o segundo voto, se Ciro Nogueira conseguirá reduzir a diferença nesse segmento e se Marcelo Castro manterá o equilíbrio observado entre primeira e segunda preferência.

A fotografia de agosto mostra que a eleição para o Senado no Piauí não pode ser analisada apenas pela liderança geral. O segundo voto já aparece como uma variável decisiva da disputa — e, nesse recorte, Júlio César larga na frente.

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