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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Lula fala com Trump, defende negociação sobre tarifas e rebate justificativas dos EUA

Segundo relato do Palácio do Planalto, os presidentes discutiram sobretaxas sobre produtos brasileiros, cooperação em segurança e conflitos internacionais. Não há confirmação pública da Casa Branca sobre os termos da conversa.

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Lula fala com Trump, defende negociação sobre tarifas e rebate justificativas dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para defender a continuidade das negociações sobre tarifas aplicadas a produtos brasileiros e contestar as justificativas apresentadas por Washington para as medidas. Segundo nota do Palácio do Planalto, Lula classificou como “infundadas” as alegações americanas relacionadas à política comercial do Brasil.

De acordo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), a conversa ocorreu na manhã de sexta-feira, durou uma hora e vinte minutos e transcorreu em tom amistoso e cordial. O governo brasileiro informou que Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e sugeriu que as equipes dos dois países voltem a se reunir “o mais brevemente possível”.

A Casa Branca ainda não se manifestou sobre a ligação. Também não há confirmação de data, participantes ou pauta para uma eventual nova rodada de negociações.

A conversa ocorreu em meio à disputa sobre sobretaxas dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras. Conforme a nota do Planalto, Lula argumentou que as tarifas produzem efeitos negativos tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos e sustentou que a negociação é a melhor alternativa para os dois países.

Segundo a versão do governo brasileiro, o presidente rebateu alegações que teriam embasado a medida americana, entre elas questões relativas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos fabricados com trabalho forçado. Essa é a posição expressa pelo Planalto; as razões formais adotadas pelos Estados Unidos e a resposta de Washington ao telefonema exigem verificação em documentos e declarações oficiais americanos.

Uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos entrou em vigor em 22 de julho. O Brasil também estaria sujeito a outra taxa de 12,5%, aplicada a outros países, e as alíquotas se somariam nos casos alcançados pelas duas medidas, com exceções para determinados produtos.

Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) estima que a tarifa adicional de 25% atinge 15% do volume exportado pelo Brasil aos Estados Unidos em 2025, o equivalente a US$ 5,8 bilhões. Madeira, móveis, máquinas e equipamentos, calçados, produtos cerâmicos e açúcar seriam os setores mais afetados, segundo os dados reproduzidos pela publicação.

Para exportadores dessas áreas, a manutenção das tarifas tende a dificultar a entrada de produtos no mercado americano e a pressionar contratos comerciais. A dimensão efetiva desse impacto, contudo, depende da relação detalhada de itens abrangidos, das exceções em vigor e das decisões das empresas sobre preços, vendas e destinos alternativos para a produção.

Segurança pública

Segundo a Secom, Lula defendeu o reforço da cooperação bilateral contra o crime organizado, mas afirmou que grupos criminosos brasileiros não devem ser equiparados a organizações terroristas. A nota diz que o presidente mencionou ações para combater o financiamento da criminalidade e a intenção de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima.

O governo brasileiro informou ainda que Trump se dispôs a ampliar a cooperação entre os dois países nessa área. Os presidentes discutiram também a guerra na Ucrânia e conflitos no Oriente Médio. Conforme o relato do Planalto, ambos concordaram sobre a urgência de uma solução negociada entre Rússia e Ucrânia, enquanto Lula voltou a defender a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU para buscar saídas diplomáticas.

O passo concreto indicado após a ligação é a retomada do trabalho das equipes de negociação comercial. Antes de qualquer avaliação sobre possível redução, revisão ou retirada das tarifas, será necessário confirmar se os governos estabelecerão um calendário de reuniões, quais produtos estarão em discussão e se Washington pretende alterar as medidas atualmente aplicadas.

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