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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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POLÍTICA

PF investiga emenda de Flávio Bolsonaro a ONG ligada a esquemas de desvio

PF investiga emendas de Flávio Bolsonaro a ONG suspeita de desviar recursos com ajuda de intermediários ligados aos Brazão

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PF investiga emenda de Flávio Bolsonaro a ONG ligada a esquemas de desvio

A Polícia Federal apura a transferência de R$ 199 mil feita por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, a uma ONG suspeita de conexão com os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão. A doação ocorreu em novembro de 2023, um mês após um assessor de Bolsonaro ter sido procurado por um representante de Domingos no Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Os investigadores buscam evidências de que o repasse integra um esquema de desvio de recursos públicos sob comando do grupo dos Brazão.

Segundo a investigação, a emenda foi enviada ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), localizado na Zona Oeste do Rio, área de influência dos Brazão. A transferência foi intermediada pelo policial militar aposentado Robson Calixto Fonseca, conhecido como 'Peixe', condenado por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco. A PF suspeita que 'Peixe' atuava nos bastidores para defender interesses do grupo Brazão, que inclui o ex-conselheiro do TCE-RJ Domingos Brazão e o deputado federal cassado Chiquinho Brazão.

Apesar das queixas, Bolsonaro afirmou por meio de sua assessoria que não cabe ao parlamentar fiscalizar a utilização de suas emendas por terceiros. A ONG, por sua vez, negou qualquer ligação formal ou informal com 'Peixe' ou os Brazão, alegando que os recursos foram destinados a um projeto de aulas de futebol para crianças e que prestou contas ao governo, inclusive devolvendo recursos não utilizados.

A PF passou a investigar o esquema após descobrir, no curso de inquérito sobre Marielle, que 'Peixe' intermediava a captação de verbas públicas para entidades vinculadas ao grupo Brazão, recebendo valores incompatíveis com suas fontes de renda. Entre 2020 e 2024, essas organizações receberam cerca de R$ 268 milhões por meio de emendas parlamentares. Relatos revelam que 'Peixe' orientava pedidos de compra de bicicletas, contratação de serviços e até depósitos em nome de familiares, além de solicitar recursos adicionais quase um ano após o primeiro repasse de Bolsonaro.

As mensagens analisadas indicam que, em novembro de 2024, 'Peixe' pediu à assessora de Bolsonaro que o senador destinasse mais recursos para o projeto, embora não haja registros de novas transferências. Além disso, diálogos indicam que a assessora solicitou ingressos para eventos no Rio, atendidos pelo parlamentar.

O Ifop, criado em 2008 e reconhecido por ações sociais na área de esporte e educação, recebeu em agosto de 2024 uma emenda de R$ 1,5 milhão de Chiquinho Brazão, além do repassado por Bolsonaro. As prestações de contas indicam que parte dos recursos foi movimentada por empresas vinculadas a outras ONGs e por consultorias localizadas em Brasília. A investigação também aponta que 'Peixe' solicitou, em novembro de 2024, mais recursos ao senador para manter o projeto ativo, embora sem registros de pagamento posterior.

O esquema revela uma rede de captação e repasse irregular de verbas públicas, com uso de ONGs e intermediários, de acordo com a PF. A apuração indica também influência política e uma possível tentativa de favorecimento de grupos ligados aos Brazão, em um cenário de suspeitas que envolvem figuras de destaque na política fluminense e nacional.

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