A organização não governamental Instituto Conhecer Brasil, presidida por Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme "Dark Horse", devolveu quase R$ 1 milhão aos cofres públicos de São Paulo após irregularidades na prestação de contas. A ONG foi contratada pela gestão Ricardo Nunes (MDB) para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi na cidade em 2024, mas a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia identificou uma série de inconformidades ao analisar a prestação de contas daquele ano.
Segundo o órgão municipal, houve pagamento em duplicidade de R$ 924.900, além de despesas excessivas com tarifas bancárias, consideradas inadequadas. A secretaria apontou também que a ONG emitiu notas fiscais onde figurava como tomadora e prestadora do serviço ao mesmo tempo. Após devoluções parciais, a entidade ainda deve cerca de R$ 930 mil, valor que foi integralmente restituído até fevereiro de 2026, após orientações de correção dos procedimentos.
Karina Ferreira explicou ao GLOBO que foi orientada a ajustar a emissão de notas fiscais e que, assim que percebeu as irregularidades, promoveu os ajustes necessários, incluindo a devolução integral dos valores. Sobre os pagamentos duplicados, ela atribuiu o erro a uma falha operacional envolvendo a Ultra IP Tecnologia, que foi notificada para devolver os valores recebidos indevidamente.
A Prefeitura de São Paulo aprovou a prestação de contas com ressalvas, condicionando a quitação ao pagamento dos valores devidos. A administração municipal destacou que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil, firmado em junho de 2024, foi realizado por processo transparente, por meio de chamamento público, e que o programa Wi-Fi Livre continua operacional, com 3.200 pontos instalados e cerca de 760 milhões de acessos registrados.
A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia reforçou que o contrato vem sendo monitorado rigorosamente e que não existem provas de irregularidades estruturais ou desvios. A devolução do montante apontado pela secretaria foi totalizada até o momento, não havendo, até agora, decisões finais ou processos administrativos sobre possíveis fraudes.
Esta denúncia se soma às investigações em andamento sobre o contrato de R$ 108 milhões firmado entre a prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar suspeitas de irregularidades, incluindo ausência de expertise na instalação de redes Wi-Fi, pagamento de R$ 26 milhões sem efetiva prestação de serviço, ausência de concorrência no processo licitatório e possíveis diferenças de custos se o serviço fosse terceirizado à própria Prodam, empresa pública municipal.