O deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT) anunciou a decisão de retirar uma emenda impositiva de R$ 190 mil destinada a uma ONG vinculada à produtora do filme "Dark Horse", que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A alteração ocorreu após denúncia de problemas legais envolvendo a entidade e uma confirmação de que ela já não receberia o recurso por estar com o cadastro desatualizado. A emenda, proposta por Teixeira, seria vinculada ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, uma sócia da produtora responsável pelo filme. O valor ainda não havia sido desembolsado.
Deputados bolsonaristas da Assembleia Legislativa também indicaram CNPJs de Karina para outras emendas, totalizando R$ 300 mil pagos a entidades ligadas ao Instituto. Entre eles, Gil Diniz (PL), Valéria Bolsonaro (PL) e Lucas Bove (PL). Enquanto Diniz enviou R$ 200 mil para a Associação Nacional de Cultura, Valéria destinou R$ 100 mil para o mesmo instituto, ambos em projetos culturais. Bove tentou redirecionar R$ 213 mil para um projeto esportivo, mas a execução foi impedida por questões técnicas.
O filme "Dark Horse" é alvo de investigação pela Polícia Federal, em frentes que envolvem suspeitas de uso indevido de recursos e possíveis vínculos com operações financeiras ilícitas, incluindo pagamentos feitos pelo senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). Parlamentares do mesmo partido também receberam recursos via "emendas Pix" para a mesma entidade, o que reforça os focos de apuração sobre a transparência dos repasses.
Segundo apuração do site "UOL", atores e demais envolvidos no projeto relataram condições de trabalho consideradas abusivas durante as filmagens, realizadas em São Paulo, no Brasil, e em países como EUA e México. Algumas reclamações incluem atrasos nos pagamentos, condições de trabalho inadequadas e restrições excessivas ao uso de celulares.
Fonte: O Globo