O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) oficializou sua pré-candidatura ao Senado por São Paulo nesta sexta-feira (15). O evento em Campinas contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A cerimônia teve forte tom eleitoral em apoio a Flávio Bolsonaro, que criticou o presidente Lula (PT) e minimizou o impacto de conversas vazadas com Daniel Vorcaro, banqueiro investigado.
Flávio Bolsonaro abordou as polêmicas envolvendo suas conversas com Vorcaro, que teriam ocorrido em setembro de 2025 para financiar um filme sobre a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018. O senador declarou que vencerá as eleições no primeiro turno e que seu projeto é "de Deus". Ele também atacou o site The Intercept Brasil, que divulgou as mensagens, acusando-o de "não fazer jornalismo" e de ter ligação com o crime organizado.
O evento ocorre em meio a uma crise na pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A presença do senador no evento, mesmo após a divulgação das conversas, foi mantida. O senador prometeu a "libertação" de seu pai, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, e a volta dele à rampa do Palácio do Planalto em janeiro de 2027.
O governador Tarcísio de Freitas, que chegou ao evento após o início, destacou a importância de São Paulo nas eleições de 2026 e criticou o Partido dos Trabalhadores (PT). Ele elogiou Derrite, que ocupou a Secretaria de Segurança Pública por mais de três anos, e defendeu sua ida para o Senado, assim como a do deputado estadual André do Prado (PL).
Derrite, por sua vez, referiu-se a Flávio Bolsonaro como "próximo presidente do Brasil" e ressaltou a necessidade de formar maioria no Senado para "frear os abusos do Poder Judiciário" e eleger um presidente conservador para a Casa.
A chapa ao Senado em São Paulo tem gerado atritos na direita. A candidatura de André do Prado, escolhido por Eduardo Bolsonaro (PL) como representante do PL, enfrenta resistência de uma ala bolsonarista. Ricardo Salles (Novo), pré-candidato independente, acusou Eduardo e André de acordo financeiro. Eduardo Bolsonaro negou as acusações.
A escolha de Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), conta com o apoio de Tarcísio, que buscava um nome mais ligado à centro-direita. Derrite, associado à pauta de segurança pública e ao bolsonarismo, cumpriria a "cota ideológica", enquanto Prado, com mais tempo no PL, seria um nome capaz de dialogar com setores variados.
Vicente Santini foi confirmado como suplente de Derrite. Rogério Marinho (PL) e Sérgio Moro (PL-PR) também compareceram. Moro afirmou que o "escândalo do Banco Master é um escândalo do governo do PT" e que o grupo de Flávio Bolsonaro realizará a missão de "virar a página do Brasil".
Fonte: O Globo