O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (14) que os vínculos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras, configuram um caso de polícia. Lula evitou comentar o assunto durante visita à fábrica de fertilizantes nitrogenados (Fafen) em Camaçari, na Bahia. "Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia", disse.
A declaração de Lula refere-se a uma reportagem do portal The Intercept Brasil que aponta que Flávio Bolsonaro articulou o repasse de R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro. O dinheiro seria destinado ao financiamento de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Daniel Vorcaro está preso sob suspeita de liderar uma organização criminosa responsável por fraudes financeiras através do Banco Master, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central.
A reportagem divulgou áudios e mensagens que indicam o envolvimento de Flávio Bolsonaro nas negociações. O senador teria mencionado a importância do filme e a necessidade de envio de recursos para pagar "parcelas para trás". Parte dos valores supostamente foi paga entre fevereiro e maio de 2025, segundo as investigações.
O senador Flávio Bolsonaro admitiu ter solicitado o recurso e mantido contato com Vorcaro, mas classificou a relação como uma questão privada. "Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet", declarou em nota oficial. Ele afirmou ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024, após o fim do governo Bolsonaro, e que o contato foi retomado devido a atrasos no pagamento do patrocínio para o filme. Bolsonaro negou ter combinado vantagens indevidas e acusou o governo Lula de ter relações espúrias com o banqueiro.
Deputados federais da base governista apresentaram denúncias à Polícia Federal e à Receita Federal para apurar possíveis ilegalidades nas transações financeiras.