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terça-feira, 20 de outubro de 2026

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POLÍTICA

Flávio Bolsonaro defende repasse de verba de filme por fundo de advogado de Eduardo

Senador Flávio Bolsonaro afirma que verba de Daniel Vorcaro para filme sobre pai foi repassada por fundo de advogado de Eduardo Bolsonaro, negando benefício ao irmão. PF investiga a origem e o destino do dinheiro.

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Flávio Bolsonaro defende repasse de verba de filme por fundo de advogado de Eduardo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira, 15 de maio de 2026, que os recursos solicitados ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse" (o Azarão) foram integralmente direcionados para a produção por meio de um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, gerido pelo advogado de seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro.

Em entrevista à Globo News, Flávio negou que o dinheiro tenha beneficiado Eduardo, hipótese investigada pela Polícia Federal. Segundo o senador, o fundo Havengate Development Fund LP, onde o montante aportado pelo banqueiro foi depositado, era exclusivo para a realização do filme.

A PF apura se os valores foram realmente usados na produção cinematográfica ou se serviram como fachada para remessa de dinheiro. Conversas divulgadas pelo Intercept Brasil na quarta-feira mostram Flávio pedindo a Vorcaro o pagamento de "parcelas" para financiar um filme biográfico sobre o pai, Jair Bolsonaro, a ser lançado próximo às eleições de outubro.

Flávio declarou que o advogado de Eduardo é de sua confiança e que ele cuidou do processo de green card do irmão, atuando como gestor do filme. Documentos americanos indicam que o escritório deste advogado é o "agente legal" do fundo citado pelo senador.

Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos e responde a um processo no STF por suposta articulação para impor sanções econômicas ao Brasil e a ministros da Corte.

O senador disse não ter conhecimento de irregularidades envolvendo Vorcaro, apesar de trocas de mensagens com o banqueiro datarem da véspera de sua primeira prisão em novembro de 2025, no âmbito de um escândalo.

"A partir do momento que acontece algo mais grave e eu percebi que ele não ia honrar as parcelas do contrato, eu fui buscar outros investidores", disse Flávio, defendendo a captação de investimento privado para obras culturais. Ele admitiu ter cobrado as parcelas mesmo com suspeitas públicas sobre Vorcaro desde o início de 2025, pois precisava concluir o filme.

"Ninguém tinha ideia que era assim. Não era sabido, ele era acusado e eu torcia para que ele esclarecesse qualquer coisa de errado que tivesse. O último pagamento que ele fez foi em maio de 2025, a partir da primeira informação pública em relação ao Daniel Vorcaro, esse fundo foi fechado, isolado. Todas as providências legais foram feitas e eu queria saber se ele ia honrar as parcelas ou não porque eu ia buscar outros investidores, porque eu precisava terminar o filme", explicou.

Flávio admitiu ter cogitado um encontro entre Jair Bolsonaro e Vorcaro, mas afirmou que o ex-presidente não compareceu. Ele disse tratar Vorcaro apenas como "um investidor de um filme", desconhecendo seu envolvimento em outras questões.

O senador justificou a falta de comunicação anterior sobre a relação com Vorcaro devido a uma cláusula de confidencialidade no contrato de financiamento do filme, que, segundo ele, impediria a divulgação de detalhes sob pena de multa e exposição dos investidores.

Questionado sobre uma operação da PF envolvendo o senador Ciro Nogueira (PI), Flávio disse não ter relação com o caso, mas que Ciro, citado em mensagens de Vorcaro sobre atrasos de pagamentos e supostos aumentos de mesada, terá que se explicar.

O Globo

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