O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira, 15 de maio de 2026, que os recursos solicitados ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse" (o Azarão) foram integralmente direcionados para a produção por meio de um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, gerido pelo advogado de seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro.
Em entrevista à Globo News, Flávio negou que o dinheiro tenha beneficiado Eduardo, hipótese investigada pela Polícia Federal. Segundo o senador, o fundo Havengate Development Fund LP, onde o montante aportado pelo banqueiro foi depositado, era exclusivo para a realização do filme.
A PF apura se os valores foram realmente usados na produção cinematográfica ou se serviram como fachada para remessa de dinheiro. Conversas divulgadas pelo Intercept Brasil na quarta-feira mostram Flávio pedindo a Vorcaro o pagamento de "parcelas" para financiar um filme biográfico sobre o pai, Jair Bolsonaro, a ser lançado próximo às eleições de outubro.
Flávio declarou que o advogado de Eduardo é de sua confiança e que ele cuidou do processo de green card do irmão, atuando como gestor do filme. Documentos americanos indicam que o escritório deste advogado é o "agente legal" do fundo citado pelo senador.
Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos e responde a um processo no STF por suposta articulação para impor sanções econômicas ao Brasil e a ministros da Corte.
O senador disse não ter conhecimento de irregularidades envolvendo Vorcaro, apesar de trocas de mensagens com o banqueiro datarem da véspera de sua primeira prisão em novembro de 2025, no âmbito de um escândalo.
"A partir do momento que acontece algo mais grave e eu percebi que ele não ia honrar as parcelas do contrato, eu fui buscar outros investidores", disse Flávio, defendendo a captação de investimento privado para obras culturais. Ele admitiu ter cobrado as parcelas mesmo com suspeitas públicas sobre Vorcaro desde o início de 2025, pois precisava concluir o filme.
"Ninguém tinha ideia que era assim. Não era sabido, ele era acusado e eu torcia para que ele esclarecesse qualquer coisa de errado que tivesse. O último pagamento que ele fez foi em maio de 2025, a partir da primeira informação pública em relação ao Daniel Vorcaro, esse fundo foi fechado, isolado. Todas as providências legais foram feitas e eu queria saber se ele ia honrar as parcelas ou não porque eu ia buscar outros investidores, porque eu precisava terminar o filme", explicou.
Flávio admitiu ter cogitado um encontro entre Jair Bolsonaro e Vorcaro, mas afirmou que o ex-presidente não compareceu. Ele disse tratar Vorcaro apenas como "um investidor de um filme", desconhecendo seu envolvimento em outras questões.
O senador justificou a falta de comunicação anterior sobre a relação com Vorcaro devido a uma cláusula de confidencialidade no contrato de financiamento do filme, que, segundo ele, impediria a divulgação de detalhes sob pena de multa e exposição dos investidores.
Questionado sobre uma operação da PF envolvendo o senador Ciro Nogueira (PI), Flávio disse não ter relação com o caso, mas que Ciro, citado em mensagens de Vorcaro sobre atrasos de pagamentos e supostos aumentos de mesada, terá que se explicar.
O Globo