Um advogado brasileiro radicado no Texas, Paulo Calixto, atua como intermediário em transações financeiras envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A Polícia Federal investiga se recursos repassados por Vorcaro, destinados ao financiamento de um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, também custearam a estadia de Eduardo nos Estados Unidos.
O escritório de Calixto em Dallas, Texas, também serve como sede para o Havengate Development Fund LP. Este fundo, segundo o site The Intercept Brasil, recebeu US$ 10,6 milhões de um total previsto de US$ 23,9 milhões para a produção do filme "Dark Horse", que retrata a vida de Jair Bolsonaro.
Mensagens obtidas pelo GLOBO revelam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pressionava Vorcaro pelo envio do restante dos pagamentos. "Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme", disse o senador em áudio enviado ao banqueiro.
Apesar de sua atuação como representante do fundo, o currículo de Calixto não aponta experiência em finanças ou cinema. Ele se especializa em imigração, com mais de 20 anos de atuação junto a órgãos como o U.S. Citizenship & Immigration Services (USCIS) e o Departamento de Estado dos EUA, além de experiência com o visto EB-5 para investidores.
Calixto também tem assessorado Eduardo Bolsonaro em questões políticas e jurídicas nos Estados Unidos, para onde o deputado se mudou no ano passado. Registros em redes sociais indicam um encontro entre representantes da Calixto Advisors, empresa de Paulo Calixto, e Eduardo Bolsonaro em agosto de 2023.
O advogado também representa o Instituto Liberdade, registrado no mesmo endereço de seu escritório em Dallas. A entidade, presidida pelo empresário Paulo Generoso, aliado de Eduardo Bolsonaro e apoiador dos atos de 8 de janeiro, é uma organização sem fins lucrativos usada por aliados de Bolsonaro para articulações políticas e aproximação com grupos conservadores americanos.
A reportagem contatou Calixto e Eduardo Bolsonaro, mas não obteve retorno.
Fonte: O Globo