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terça-feira, 20 de outubro de 2026

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POLÍTICA

STF define limites para uso de dados do Coaf em caso "doleiro dos cavalos"

Supremo Tribunal Federal julga caso "doleiro dos cavalos" para definir se Coaf pode compartilhar dados financeiros antes da abertura formal de inquéritos. Decisão pode impactar investigações em todo o país.

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STF define limites para uso de dados do Coaf em caso "doleiro dos cavalos"

O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta quinta-feira (14/05/2026) um caso que pode definir limites para o compartilhamento de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em investigações criminais no país. A análise de uma investigação de uma década sobre um suposto esquema de importação irregular de equinos, apelidado de "doleiro dos cavalos", pode impactar apurações em todo o Brasil.

O caso chegou ao STF após o Ministério Público Federal (MPF) recorrer de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O STJ havia trancado a investigação e anulado provas contra o suspeito, considerando que o relatório do Coaf foi requisitado antes da abertura formal de um inquérito policial, caracterizando uma "pesca" indevida de provas (fishing expedition).

O MPF argumenta que condicionar o repasse de informações financeiras à abertura prévia de um inquérito policial limita excessivamente os poderes investigatórios do órgão. Por outro lado, a defesa do investigado alega que a apuração foi ilegal por ter se baseado em um relatório do Coaf sem uma investigação policial em curso.

Em agosto do ano passado, o ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão de todos os processos que discutiam a validade de relatórios de inteligência financeira requisitados antes da abertura de inquérito. A decisão pode afetar investigações em andamento em todo o país.

Em março deste ano, a Procuradoria-Geral da República se manifestou, defendendo que o STF permita o compartilhamento espontâneo dos relatórios do Coaf, independentemente da existência de um inquérito policial aberto, exigindo apenas a instauração de um procedimento investigativo formal e o respeito ao sigilo.

O STF já havia autorizado o compartilhamento de relatórios de inteligência financeira com órgãos de investigação em 2019, sem necessidade de decisão judicial. Agora, a Corte decidirá se reitera essa permissão e o momento adequado para o repasse das informações.

O esquema investigado envolve a importação irregular de equinos, com prejuízos estimados em R$ 160 milhões à Receita Federal. Segundo o MPF, o suposto "doleiro" realizava pagamentos no exterior a exportadores e transportadores, com subfaturamento dos preços.

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