Ir para o conteúdo

sábado, 17 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

ECONOMIA

Lucro do Banco do Brasil despenca 54% com crise no agronegócio

Lucro do Banco do Brasil cai 54% no primeiro trimestre de 2026, impactado pela inadimplência no crédito rural. Banco revisa projeção de lucro para o ano e reforça medidas de renegociação de dívidas no agronegócio.

Compartilhe
WhatsApp
Lucro do Banco do Brasil despenca 54% com crise no agronegócio

O Banco do Brasil (BB) registrou uma queda acentuada de 54% em seu lucro líquido ajustado no primeiro trimestre de 2026, alcançando R$ 3,4 bilhões. O resultado é reflexo direto do aumento da inadimplência no crédito rural, que pressionou as finanças da instituição. Diante desse cenário, o BB também reviu para baixo sua projeção de lucro para o ano de 2026, esperando agora entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, ante a estimativa anterior de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.

A provisão para perdas com devedores subiu 46% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 16,8 bilhões. Segundo o banco, essa elevação reflete diretamente os maiores atrasos de pagamento por parte de produtores rurais. O índice de inadimplência acima de 90 dias no agronegócio atingiu 6,22%, um aumento de 3,5 pontos percentuais em 12 meses, enquanto a inadimplência geral do banco ficou em 5,05%.

O setor agropecuário tem enfrentado dificuldades desde a quebra da safra de soja em 2024, após um ano recorde em 2023. Essa instabilidade gerou um aumento nas recuperações judiciais entre produtores rurais nos últimos dois anos.

A rentabilidade do banco, medida pelo ROE (retorno sobre patrimônio líquido), também sofreu com a crise, caindo de 16,7% para 7,3% em 12 meses.

Para mitigar os efeitos da crise no campo, o BB informou ter reforçado seus mecanismos de cobrança e renegociação de dívidas, com o programa BB Regulariza Dívidas Agro renegociando R$ 37,9 bilhões em mais de 73 mil operações, atendendo cerca de 25,5 mil produtores rurais. O banco também intensificou o uso de garantias e ações judiciais para recuperar créditos.

Apesar das dificuldades, a carteira total de crédito do banco cresceu 2,2% em um ano, chegando a R$ 1,3 trilhão, com destaque para o segmento de pessoas físicas, impulsionado pelo crédito consignado.

Leia também