O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta-feira (15) que recursos pedidos ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme "Dark Horse" (o Azarão) tenham beneficiado seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro. Em entrevista à Globo News, Flávio afirmou que o montante aportado por Vorcaro foi repassado ao longa por meio do fundo Havengate Development Fund LP, gerido pelo advogado de Eduardo e sediado no Texas, nos Estados Unidos.
"Todos os recursos aportados nesse fundo, específico para produção do filme, foram integralmente utilizados para fazer o filme", declarou Flávio.
A Polícia Federal (PF) investiga se o dinheiro foi usado para financiar a produção cinematográfica ou se serviu apenas como justificativa para a remessa de valores. O caso ganhou destaque após o site Intercept Brasil divulgar conversas entre Flávio e Vorcaro nas quais o senador solicita o pagamento de "parcelas" para financiar um filme biográfico sobre o pai, a ser lançado às vésperas da eleição de outubro.
Flávio admitiu ter sugerido um encontro entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-banqueiro, mas afirmou que o encontro não ocorreu. Ele declarou que tratava Vorcaro como "um investidor de um filme" e que desconhecia irregularidades envolvendo o banqueiro, citando uma cláusula de confidencialidade em contrato como motivo para não ter falado sobre a relação anteriormente.
O senador também foi questionado sobre mensagens envolvendo o senador Ciro Nogueira (PI) e Daniel Vorcaro, nas quais o ex-banqueiro questiona o atraso em pagamentos destinados a Ciro. Flávio Bolsonaro afirmou que citou o nome de Ciro Nogueira como uma possibilidade de candidato a vice como "um gesto a um presidente de partido importante" e que o senador piauiense "vai precisar se explicar".