O ministro Guilherme Boulos criticou nesta quarta-feira (13) a proposta de compensação financeira a empresas pela aprovação do fim da escala 6x1, que obriga trabalhadores a seis dias seguidos de labor sem descanso.
Boulos classificou a ideia de "bolsa patrão" e questionou a razoabilidade de trabalhadores, através de impostos, financiarem "compensações" para empresas, em um cenário onde o fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais trariam mais dignidade e descanso.
"Alguém chegou a propor compensação para as empresas quando há aumento de salário mínimo no Brasil? Não, não seria razoável", argumentou Boulos em audiência pública na comissão especial que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para o fim da escala 6x1.
A audiência contou com a presença de Rick Azevedo, fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e vereador no Rio de Janeiro. Azevedo, que trabalhou por 12 anos em regimes extenuantes, relatou a desumanidade da escala 6x1.
"Por anos, passei não me sentindo gente, não me sentindo pertencente à sociedade, não sentia capaz", desabafou Azevedo, que também se mostrou contrário a compensações e a períodos de transição.
O fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais são pautas defendidas pelo governo e que avançam no Congresso Nacional. O acordo prevê uma alteração constitucional via PEC, somada a um projeto de lei para tratar de temas específicos de categorias e ajustar a legislação.