Ações da Boeing registraram queda após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um acordo para a venda de 200 aviões à China. O número ficou abaixo do esperado pelo mercado, que projetava uma encomenda maior, podendo chegar a 500 aeronaves.
O anúncio foi feito por Trump durante entrevista à Fox News. A venda, avaliada em bilhões de dólares, representa a primeira compra de jatos comerciais fabricados nos EUA pela China em quase uma década. No entanto, a quantidade anunciada ficou aquém das expectativas de um acordo histórico.
Em reação, as ações da Boeing chegaram a cair 5,4% no pregão, atingindo US$ 227,50, embora ainda apresentem alta de cerca de 7% no acumulado do ano. Analistas apontam que a confirmação oficial do pedido por companhias aéreas chinesas é crucial, pois acordos anteriores com o governo chinês nem sempre foram concretizados.
A China, que encomendou apenas 39 aviões da Boeing nesta década, pode com este acordo retomar a compra de aeronaves americanas, segundo George Ferguson, analista da Bloomberg Intelligence. O país asiático, que não fazia uma encomenda de grande porte à Boeing desde a visita de Trump em 2017, normalmente divide seus pedidos entre a Boeing e a rival Airbus.
O acordo surge em um momento de tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo. A China havia se comprometido em janeiro de 2020 a comprar US$ 77 bilhões em produtos americanos, incluindo aeronaves, mas a promessa não foi cumprida devido à pandemia de Covid-19. A Boeing perdeu participação de mercado na China para a Airbus, em parte devido à longa suspensão do modelo 737 MAX, que foi o primeiro país a proibir sua operação após dois acidentes fatais. A China só permitiu o retorno do modelo aos voos em 2023.
Enquanto isso, grandes companhias aéreas chinesas encomendaram cerca de 700 aeronaves da Airbus desde julho de 2022. A fabricante europeia também enfrenta desafios na China, com atrasos administrativos prejudicando a entrega de quase 20 aeronaves no último mês. Além disso, a China desenvolveu seu próprio concorrente, o C919, fabricado pela Commercial Aircraft Corporation of China, que já possui mais de mil pedidos, majoritariamente de companhias chinesas.
Trump tem se creditado por facilitar acordos para a Boeing, afirmando ter ajudado a empresa a vender mil aviões e recebido o prêmio de maior vendedor da história da companhia.
Fonte: O Globo