Ir para o conteúdo

sábado, 17 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

ECONOMIA

Boeing tem ações em queda após anúncio de compra de aviões pela China

Queda nas ações da Boeing após anúncio de compra de 200 aviões pela China, número abaixo do esperado pelo mercado. Acordo representa a primeira compra de jatos americanos em quase uma década, mas analistas alertam para a necessidade de confirmação oficial.

Compartilhe
WhatsApp
Boeing tem ações em queda após anúncio de compra de aviões pela China

Ações da Boeing registraram queda após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um acordo para a venda de 200 aviões à China. O número ficou abaixo do esperado pelo mercado, que projetava uma encomenda maior, podendo chegar a 500 aeronaves.

O anúncio foi feito por Trump durante entrevista à Fox News. A venda, avaliada em bilhões de dólares, representa a primeira compra de jatos comerciais fabricados nos EUA pela China em quase uma década. No entanto, a quantidade anunciada ficou aquém das expectativas de um acordo histórico.

Em reação, as ações da Boeing chegaram a cair 5,4% no pregão, atingindo US$ 227,50, embora ainda apresentem alta de cerca de 7% no acumulado do ano. Analistas apontam que a confirmação oficial do pedido por companhias aéreas chinesas é crucial, pois acordos anteriores com o governo chinês nem sempre foram concretizados.

A China, que encomendou apenas 39 aviões da Boeing nesta década, pode com este acordo retomar a compra de aeronaves americanas, segundo George Ferguson, analista da Bloomberg Intelligence. O país asiático, que não fazia uma encomenda de grande porte à Boeing desde a visita de Trump em 2017, normalmente divide seus pedidos entre a Boeing e a rival Airbus.

O acordo surge em um momento de tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo. A China havia se comprometido em janeiro de 2020 a comprar US$ 77 bilhões em produtos americanos, incluindo aeronaves, mas a promessa não foi cumprida devido à pandemia de Covid-19. A Boeing perdeu participação de mercado na China para a Airbus, em parte devido à longa suspensão do modelo 737 MAX, que foi o primeiro país a proibir sua operação após dois acidentes fatais. A China só permitiu o retorno do modelo aos voos em 2023.

Enquanto isso, grandes companhias aéreas chinesas encomendaram cerca de 700 aeronaves da Airbus desde julho de 2022. A fabricante europeia também enfrenta desafios na China, com atrasos administrativos prejudicando a entrega de quase 20 aeronaves no último mês. Além disso, a China desenvolveu seu próprio concorrente, o C919, fabricado pela Commercial Aircraft Corporation of China, que já possui mais de mil pedidos, majoritariamente de companhias chinesas.

Trump tem se creditado por facilitar acordos para a Boeing, afirmando ter ajudado a empresa a vender mil aviões e recebido o prêmio de maior vendedor da história da companhia.

Fonte: O Globo

Leia também