A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adiou para esta sexta-feira a decisão sobre o recurso da Ypê, líder no mercado de produtos de limpeza. A agência havia suspendido a fabricação, comercialização e distribuição de 25 itens da marca após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produção na fábrica de Amparo (SP). A notícia gerou incerteza e impacto no setor.
A Ypê apresentou 239 ações corretivas e um recurso que suspendeu os efeitos da decisão até a avaliação do colegiado da Anvisa. No entanto, a análise foi remarcada de última hora.
A ausência de produtos Ypê nas prateleiras de supermercados de São Paulo já é notável. A reportagem do O GLOBO visitou seis estabelecimentos e encontrou poucas unidades da marca, mesmo de itens não relacionados aos lotes suspensos. A situação também afeta o Rio de Janeiro, onde supermercados já iniciaram a troca de produtos.
A Associação de Supermercados do Estado do Rio (Asserj) recomendou cautela aos consumidores, apesar do recurso da Ypê ter suspendido temporariamente as restrições. Gerentes de supermercados relatam muitos pedidos de troca e a substituição de produtos Ypê por outras marcas.
A liderança da Ypê no segmento de limpeza, avaliado em US$ 7,17 bilhões em 2024, está ameaçada. A crise reputacional abre espaço para concorrentes como Limpol, Minuano, Unilever, Procter & Gamble e Reckitt. A CEO da AGR Consultores, Ana Paula Tozzi, destaca a importância da marca, presente em 95% dos lares brasileiros, e o impacto da crise na confiança do consumidor.
Tozzi ressalta que a velocidade da reação da Ypê e a percepção do consumidor serão cruciais para determinar a duração da crise. Marcas líderes, segundo ela, podem superar adversidades com comunicação ágil e proativa. A interrupção operacional ou o desgaste reputacional de um líder de mercado como a Ypê, com quase 40% de participação, leva o varejo a distribuir o espaço de gôndola e o consumidor a testar alternativas.