A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adiou para esta sexta-feira a análise do recurso da Ypê contra a suspensão de fabricação, comercialização e distribuição de parte de seus produtos. A decisão afeta a líder do setor de limpeza, a confiança dos consumidores e o mercado de produtos.
A Ypê teve 25 itens de detergentes, sabão em pó e desinfetantes suspensos pela Anvisa e Vigilância Sanitária de São Paulo. A empresa apresentou 239 ações corretivas, o que suspendeu a medida até a avaliação do colegiado, que seria ontem e foi remarcada.
A Anvisa informou ter identificado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes da fábrica de Amparo (SP), com numeração terminada em 1.
Supermercados em São Paulo e no Rio de Janeiro já notaram a ausência de produtos Ypê nas prateleiras, mesmo itens não afetados pela suspensão. Rivais como Limpol (Bombril) ganham espaço.
A Ypê é líder de mercado, mas o desgaste reputacional pode beneficiar concorrentes como Limpol, Minuano, Unilever, P&G e Reckitt. O mercado de higiene, limpeza e saneantes movimentou US$ 7,17 bilhões em 2024, segundo a Abipla.
A CEO da AGR Consultores, Ana Paula Tozzi, destaca o impacto da crise na confiança do consumidor, construída ao longo de décadas. Ela ressalta que a velocidade da reação da empresa e a comunicação serão cruciais para superar o problema.
Tozzi avalia que a interrupção operacional ou desgaste reputacional de uma líder abre espaço para concorrentes, que rapidamente distribuirão espaço nas gôndolas e testarão novas alternativas com os consumidores.